A comunidade internacional deu até terça-feira ao Presidente Jean-Bertrand Aristide e à oposição tradicional haitiana para se colocarem de acordo quanto a um plano que ajude a acabar com a crise no país, onde sexta-feira pelo menos 20 pessoas foram feridas durante um desfile na capital, Port-au-Prince. O plano elaborado pelos Estados Unidos, o Canadá, a França, a Comunidade das Caraíbas e a Organização dos Estados Americanos (OEA) prevê que Aristide fique na Presidência da República até ao fim do seu actual mandato, em Fevereiro de 2006, mas nomeie um novo primeiro-ministro, independente, para substituir Yvon Neptune, que escolhera em Março de 2002. Os líderes da Igreja Católica no Haiti alertaram a comunidade internacional para o facto de uma guerra civil no país poder estalar a qualquer momento. “Pedimos ao governo do Haiti que tome a melhor decisão possível, para pôr fim a esta situação”, referiu à agência missionária Misna o arcebispo de Cabo Haiti, Hubert Constant. A Igreja local manifesta ainda uma grande preocupação em relação à situação humanitária, explicando que “o sofrimento do povo é insuportável e a insegurança é omnipresente”. A Conferência Episcopal do Haiti, preocupada com o agravamento da situação e da violência, lançara já um manifesto à população e ao governo haitiano, no final de Novembro 2003, pedindo a paz, a renúncia do presidente e eleições directas em Janeiro de 2004. As tentativas de mediação resultaram, contudo, num grande fracasso. A violência fez mais de 50 mortos no Haiti desde 5 de Fevereiro, no início da rebelião armada em Gonaives (norte), uma cidade que continua nas mãos dos opositores ao presidente Aristide.
