Missionário xaveriano Mario Pulcini denuncia situação de calamidade nos campos de acolhimento, onde falta tudo e a cólera já provocou dezenas de mortes

Bujumbura, 15 jan 2026 (Ecclesia) – O missionário xaveriano Mario Pulcini denunciou hoje a situação dramática dos refugiados da República Democrática do Congo (RDC) que fugiram para o Burundi, relatando um cenário de fome, doenças e privações que está a causar a morte de civis.
“Desde o início, estimam-se em mais de 200 mil pessoas, muitas das quais hoje estão alojadas em vários campos de acolhimento, bastante grandes: um na província de Ruyigi e outro na zona de Rumonge”, referiu o sacerdote, em declarações ao portal ‘Vatican News’.
O religioso, que reside no Burundi desde 1978, citou informações do diretor da Caritas local para confirmar a ocorrência de “mais de 60 mortes, muitas delas causadas pela cólera”, no campo de Ruyigi, onde “falta tudo: água, comida, roupas”.
A situação agrava-se com a estação das chuvas, transformando as tendas improvisadas em armadilhas de lama e água, enquanto a ajuda internacional chega com dificuldade através da Tanzânia, devido ao encerramento das fronteiras com a RDC e o Ruanda.
“Apenas algumas organizações internacionais continuam a tentar levar alguns bens de primeira necessidade”, explicou o padre Mario Pulcini, notando que a ajuda monetária da Cáritas, cerca de sete euros por pessoa, enfrenta a escassez absoluta de produtos para compra nos mercados locais.
Apesar de 70% da população do Burundi viver abaixo do limiar da pobreza, o missionário destacou o “esforço humanitário sem precedentes” das famílias locais, que acolheram refugiados nas suas casas, superando o receio inicial de infiltrações do grupo rebelde M23.
A Igreja Católica mantém-se na linha da frente do auxílio, com a Arquidiocese de Bujumbura a promover um retiro espiritual no próximo dia 30 de janeiro, destinado à recolha de fundos e bens para os campos de acolhimento.
O conflito na RDC, centrado na província de Kivu Norte e na disputa por recursos naturais, provocou a destruição na zona de Uvira, controlada pelos rebeldes, onde imperam “tiros, bombas, pessoas a fugir” e a morte pela fome e pela violência.
O padre Mario Pulcini lamentou ainda a “ausência de humanidade” que caracteriza o atual momento, relatando o impedimento de saída de um confrade mexicano para o funeral da mãe, um gesto que classificou como “extremamente desumano” e sintomático da perigosidade atual do conflito.
OC
