Reitor do Seminário Maior de Coimbra conclui ciclo de conversas com a Agência ECCLESIA, definindo o perdão como um ato de «libertação»
Lisboa, 21 dez 2025 (Ecclesia) – O padre Nuno Santos afirmou, na última conversa do ciclo de Advento promovido pela Agência ECCLESIA, que a vivência do Jubileu e do Natal exige a abertura da “porta do coração” e a coragem de perdoar.
“A maior porta santa, neste ano de jubileu, é a do nosso coração, e a esperança só é real quando é partilhada”, declarou o reitor do Seminário Maior de Coimbra.
Num balanço do Ano Santo iniciado na noite de Natal de 2024, pelo Papa Francisco, o sacerdote sublinhou que o Jubileu “é sempre uma proposta de reinício, de recomeço”, mas alertou contra uma visão mágica dos ritos, como a passagem pela Porta Santa.
“Não é um ato mágico. Passar a porta significa uma decisão: eu quero entrar numa vida nova. Mas a porta física é apenas um símbolo. A verdadeira passagem tem de acontecer dentro de nós”, sustentou.
Na entrevista ao Programa ECCLESIA, emitido este domingo na Antena 1, o responsável evocou as raízes bíblicas do Jubileu, presentes no livro do Levítico, recordando que este era originalmente um tempo de justiça social, de “perdoar as dívidas” e de devolver a terra a quem a tinha perdido, permitindo que todos tivessem “o mínimo para viver com dignidade”.
“Se o Jubileu ficar apenas pelas celebrações litúrgicas e não tocar na vida concreta das pessoas, na forma como nos relacionamos e partilhamos, então falhámos o essencial”, advertiu.
A poucos dias do Natal, o padre Nuno Santos refletiu sobre o perdão, tema central deste ano jubilar, distinguindo-o do esquecimento.
“Perdoar não é ter amnésia. Perdoar não é esquecer o mal que nos fizeram. Perdoar é olhar para a ferida e sentir que ela já não dói, que já não nos prende ao passado. É uma libertação, sobretudo para a vítima, não apenas para o ofensor”, explicou.
O sacerdote de Coimbra concluiu o percurso de quatro semanas de reflexão convidando os católicos a olharem para o presépio não como um cenário idílico, mas como o lugar onde Deus se faz “pequeno e frágil”.
“O Natal diz-nos que Deus não está na força nem no poder, mas na fragilidade de uma criança. E é aí, nessa fragilidade, que a esperança renasce”, rematou.
Esta reflexão encerra o ciclo de conversas de Advento com o padre Nuno Santos, que nas semanas anteriores abordou a “criatividade e coragem para viver em contramão”, o combate ao “individualismo” e a necessidade de “andaimes espirituais” para vencer as ilusões.
OC
