Reitor do Seminário Maior de Coimbra acompanha ouvintes do Programa ECCLESIA em ciclo de reflexões sobre a esperança

Coimbra, 29 nov 2025 (Ecclesia) – O reitor do Seminário Maior de Coimbra, padre Nuno Santos, afirmou que o tempo do Advento exige “criatividade e coragem” para contrariar o ritmo acelerado da sociedade, propondo momentos de silêncio e gestos de caridade concreta como preparação para o Natal.
Em entrevista à Agência ECCLESIA, no arranque de um ciclo de conversas sobre a construção da esperança, o reitor do Seminário Maior de Coimbra comparou a proposta litúrgica da Igreja a uma entrada em “contramão” numa autoestrada.
“Nós vamos todos numa velocidade, e tal como numa autoestrada, ninguém pode parar”, indicou.
“De repente há um contratempo, que é um tempo litúrgico que nos pede apaziguamento interior, algum silêncio, alguma limpeza de alma”, acrescentou o sacerdote.
Para o padre Nuno Santos, a repetição do calendário não retira a novidade ao Advento, uma vez que, embora o tempo seja cíclico, “nós mudamos” e “o que eu espero hoje, em 2025, já não é igual” ao passado.
O entrevistado sublinhou a importância de recuperar a “pedagogia da espera”, lembrando a imagem do ‘Principezinho’ para ilustrar que “os tempos de preparação, às vezes, são tão estimulantes e são tão interessantes quanto o próprio encontro”.
Sobre a estrutura deste tempo litúrgico, que nas primeiras semanas foca a atenção no fim dos tempos (escatologia) e não imediatamente no presépio, o reitor do Seminário de Coimbra explicou que essa consciência de finitude é essencial para dar sentido ao presente.
“O fim também nos fala da finalidade”, sustentou.
Quanto mais conscientes estivermos da mortalidade, da finitude, da fragilidade, mais humanos e mais preparados estamos para vivermos”, disse ainda.
A segunda parte do Advento, focada no nascimento, traz a marca da “fragilidade”, com Deus a escolher nascer “sem espetacularidade”, o que constitui um apelo à sensibilidade para com os que hoje nascem em cenários de guerra ou pobreza.
Desafiado a deixar sugestões práticas para viver este tempo, o padre Nuno Santos sugeriu “criatividade” nos sinais exteriores – como alterar a disposição das imagens em casa ou mudar o fundo do telemóvel para uma imagem alusiva ao tempo litúrgico – e “coragem” para oferecer tempo aos outros.
“É saber ter tempo para os mais necessitados, é saber dar tempo, que é uma coisa bem difícil nesta época”, alertou, sugerindo o convite a alguém que esteja sozinho para a ceia de Natal ou a preparação de uma oração familiar.
O tempo do Advento, que se inicia este domingo, marca o arranque de um novo ano no calendário litúrgico da Igreja Católica, englobando os quatro domingos anteriores à solenidade do Natal.
Marcada pela cor roxa e pela ausência do Glória na Missa, a liturgia é marcada pelos apelos à vigilância, destacando figuras bíblicas como o profeta Isaías, São João Batista e, de modo particular, a Virgem Maria.
A entrevista ao padre Nuno Santos integra o programa de rádio ECCLESIA deste domingo (06h00), na Antena 1, que ao longo das quatro semanas do Advento vai abordar a temática da esperança.
OC
