Uma multidão de familiares, amigos e admiradores encheu a Igreja da Graça, em Lisboa, para se despedir de Sophia de Mello Breyner Andersen, que morreu na passada sexta-feira, aos 84 anos. Um dos nomes maiores da literatura portuguesa de todos os tempos, tendo escrito e publicado quase até ao final da vida, Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919, e deixou publicados 17 livros de poesia, 13 livros de prosa – sobretudo contos infantis -, seis ensaios e uma peça de teatro, “O Colar” (2001). Sophia de Mello Breyner foi homenageada várias vezes pelo seu trabalho. Foi Condecorada três vezes pela República Portuguesa, recebeu 13 prémios literários e em 1999, foi agraciada o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões. Cantora da criação e da beleza do mundo, apaixonada pelo mar, a autora fascinou Maria Armanda Saint-Maurice, teóloga, que refere à Agência ECCLESIA o aspecto de “católica convicta” de Sophia de Mello Breyner, “que a levou a assumir acções e gestos muito importantes de defesa e adesão à Igreja após o 25 de Abril”. “Essa adesão emerge da poesia da autora, como um horizonte do ser: ela tem vários poemas em que se dirige a Jesus Cristo, o horizonte cristão era extraordinariamente importante”, acrescenta. O testemunho de Maria Armanda Saint-Maurice termina com uma frase particularmente significativa: “foi a mulher mais bela que conheci na minha vida, de uma beleza interior excepcional, uma mulher genial”. Até sempre! “Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta Continuará o jardim, o céu e o mar, e como hoje igualmente hão-de bailar As quatro estações à minha porta. Outros em Abril passarão no pomar Em que eu tantas vezes passei, Haverá longos poentes sobre o mar, Outros amarão as coisas que eu amei. Será o mesmo brilho a mesma festa, Será o mesmo jardim à minha porta. E os cabelos doirados da floresta, Como se eu não estivesse morta.” Sophia de Mello Breyner (1919-2004)
