Retiro no Nordeste reuniu 287 participantes, com responsáveis a pedir «colaboradores» ativos na Igreja durante todo o ano

Ponta Delgada, Açores, 26 jan 2026 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Administrativa do Movimento de Romeiros de São Miguel defendeu este domingo a urgência de prolongar a vivência espiritual dos ranchos após a Páscoa, contrariando o aparecimento de grupos sazonais.
“Queremos ranchos que não ressuscitem na Quaresma e depois morram na Páscoa”, afirmou Rui Melo, durante um retiro que reuniu 287 romeiros no concelho do Nordeste (Ilha de São Miguel).
Segundo o portal diocesano ‘Igreja Açores’, o responsável sustentou que a romaria “ultrapassa a Quaresma” e apelou à formação de “colaboradores da Igreja”, rejeitando a figura de “profissionais da Igreja”.
O encontro visou a preparação espiritual para as romarias que em breve percorrerão a ilha, tendo Rui Melo pedido “seriedade e responsabilidade” nas orações rezadas por intenção de terceiros.
O retiro contou com a presença do bispo de Angra, D. Armando Esteves Domingues, que exortou os presentes a assumirem os sacramentos como um compromisso de vida e de exemplo para a comunidade.
“Nunca vivam os sacramentos como um prémio. Um romeiro é uma luz, mas tem de ser exemplo”, declarou o prelado, deixando uma provocação sobre a consistência da vida cristã.
O programa iniciou-se com a Eucaristia na Igreja Matriz do Nordeste, seguida de uma caminhada em “rancho único” até ao Centro Municipal de Atividades Culturais, onde decorreram as reflexões.
O padre Jorge Sousa lembrou que “no Batismo se entra numa vida nova” e em comunidade, enquanto Carmo Rodeia, diretora de comunicação da diocese, apresentou a romaria como uma “escola de sinodalidade” e de “amizade social”, expressão adulta do batismo.
A história secular deste movimento, nascido na sequência de sismos e erupções vulcânicas do século XVI, foi evocada por Norberto Leite e António Miguel Soares, presidente do Município e também ele romeiro.
As Romarias Quaresmais constituem uma das expressões mais fortes da piedade popular nos Açores: durante a Quaresma, grupos de homens percorrem a ilha a pé durante uma semana, no sentido dos ponteiros do relógio, rezando e visitando igrejas, pernoitando em casas particulares ou salões paroquiais.
OC
