Referência às raízes cristãs afigura-se impossível O projecto da presidência italiana da UE para o futuro Tratado Constitucional europeu, apresentado ontem, não menciona as raízes cristãs da Europa. A informação foi confirmada pelo Ministro dos Negócios estrangeiros, Franco Frattini, em conferência de imprensa. Os italianos apresentarão o documento na cimeira de Bruxelas, entre 12 e 13 de Dezembro, assegurando que a decisão será responsabilidade directa dos “chefes de governo”. O percurso para uma Constituição Europeia tem vindo a complicar-se e nem dois anos de trabalhos, entre Convenção Europeia e Conferência Inter-Governativa, serviram para amenizar as grandes divergências existentes entre os países da União. O secretário do Conselho das Conferências Episcopais Europeias (CCEE), D. Aldo Giordano, reconhece que os bispos nutrem uma grande expectativa sobre a menção ao cristianismo no texto. Esclarece, ao mesmo tempo, que o artigo 51 garante um diálogo “transparente e regular” entre as instituições europeias e as Igrejas e comunidades religiosas, “novidade importante do ponto de vista jurídico para as Igrejas”. “O facto de que no Tratado Constitucional se inclua a Carta dos direitos fundamentais da União Europeia quer dizer que há elementos de garantia para a liberdade de religião”, conclui em entrevista concedida à Rádio Vaticano. Apesar destes avanços, o dossier das “raízes cristãs”, com uma proposta de referência explícita assinada por Portugal, parece condenado ao esquecimento, abafado pela discussão sobre os votos no Conselho da Europa e o peso a dar a cada Estado-membro na UE alargada.
