Médico psiquiatra apresentou cinco medidas a implementar para melhorar a saúde mental dos trabalhadores

Lisboa, 15 jan 2026 (Ecclesia) – Pedro Afonso afirmou hoje num encontro da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE) que a saúde mental nas empresas “não depende só de fatores individuais”, mas também da forma como “valorizam e promovem as relações no trabalho”.
“É importante promover, na gestão das empresas, lideranças empáticas que reduzam a exaustão, que diminuam os conflitos, que aumentem o sentido de reconhecimento e de pertença à organização”, disse o médico psiquiatra, esta quinta-feira, dia 15 de janeiro, numa sessão da ACEGE dedicada à saúde mental no trabalho, em Lisboa.
Pedro Afonso apresentou a empresários e gestores medidas que podem implementar para melhorar a saúde mental dos seus colaboradores e afirmou que “a saúde mental nas empresas não depende só de fatores individuais”, mas depende também da forma como “estas valorizam e promovem as relações no trabalho”.
“Nas empresas a saúde mental não se promove pedindo apenas resiliência aos colaboradores, mas libertando-os do peso do próprio sistema que os faz adoecer”, realçou o especialista
O orador, professor na AESE — Business School na área de desenvolvimento humano, apresentou no almoço de janeiro da Associação Cristã de Empresários e Gestores um estudo realizado nessa instituição com o objetivo de “identificar medidas práticas” para ajudar as empresas a melhorar a saúde mental dos colaboradores, com uma amostra de 598 participantes, com uma média de idade de 51 anos e cargos de chefia e direção (39% do sexo feminino, 60% do sexo masculino, e 83% tinham filhos).
“Promover um ambiente laboral positivo e saudável previne o burnout, reduz os custos com a falta de saúde e o absentismo, porque quando há um burnout, e há uma depressão decorrente do burnout, o colaborador não fica de baixa uma semana, nem 15 dias, as baixas habitualmente são prolongadas, é mais fácil tratar uma pneumonia, o tempo é muito menor”, salientou.
O médico psiquiatra indicou que neste estudo avaliaram 10 medidas que estavam “validadas pela literatura”: “Respeito do horário semanal; respeito do direito a desligar; conciliação do trabalho, família e vida pessoal; regimes livres de trabalho; gestão de conflitos internos; redução da pressão excessiva do trabalho; melhoria da cooperação e comunicação de colaboradores; a redução do multitasking em fatores de distração; valorização profissional dos colaboradores; programa de acompanhamento de regressos ao trabalho após doença prolongada”.
Segundo o professor universitário “todas” as medidas “foram bastante bem cotadas” pelos participantes do estudo, e a principal, “a mais valorizada, foi a consolidação entre trabalho, família e vida pessoal”, o que reforçou “a necessidade da certificação das empresas neste capítulo”, e, em segundo, a gestão de conflitos internos, que “é uma causa de atrito, de grande desagrado, de grande tensão”.
“Pela minha prática clínica, a principal causa de burnout é a existência de uma chefia tóxica. Uma chefia tóxica destrói completamente a saúde psíquica de uma pessoa, mais ainda do que a carga horária”, salientou aos empresários e gestores.
Num encontro dedicado a refletir sobre ‘medidas a implementar nas empresas para melhorar a saúde mental dos colaboradores’, Pedro Afonso indicou aos empresários e gestores as cinco do estudo com “robustez estatisticamente significativa”, e começou pela “valorização profissional dos colaboradores”, que não é só a dimensão económica, mas, “às vezes, entra a dimensão de empatia, de palavra de apreço”, que é uma competência humana.
As outras medidas, acrescentou o médico psiquiatra, são os regimes híbridos de trabalho, “dar flexibilidade às pessoas”, a melhoria da cooperação e comunicação entre colaboradores, “a redução excessiva na pressão do trabalho”, e o respeito pelo direito a desligar “fora do horário laboral”.
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