A violência e o sagrado nas notícias

Faculdade de Teologia ensina jornalistas a não tomar a parte pelo todo Tendo como pano de fundo os acontecimentos dramáticos da última semana na Turquia, onde o terrorismo internacional voltou a estar em destaque, a Faculdade de Teologia (FT) da UCP organizou a primeira sessão do curso intitulado “Os Media e as Religiões”, destinado a ajudar os jornalistas a conhecer as tradições religiosas do mundo. Os casos de desinformação nesta área têm o perigo de provocar reacções sociais de medo, tensão e violência de que o director da FT, Pe. Peter Stilwell, se mostra consciente, considerando-as “despropositadas”. “Os agentes da comunicação social precisam de conhecer em primeira mão o que se passa nas várias tradições religiosas para que não confundam casos esporádicos com o todo, os fenómenos de extremismo têm de ser lidos no contexto da sua religião”, explica o Pe. Stilwell A Comunicação Social tende hoje a ler o Islamismo a partir de figuras como Bem Laden ou o Judaísmo a partir de Ariel Sharon, esquecendo as correntes ligadas à grande tradição e não fundamentalistas, pelo que para a FT é fundamental que os participantes “consigam perceber como é que os casos de violência se inserem numa mundivisão que se presta a isso ou não”. O número de participantes excedeu o número inicialmente previsto, seja por desconhecimento ou por fascínio, juntando assim 37 agentes da comunicação social, de 17 a 21 de Novembro de 2003, para pensar a “actualidade das religiões”. Para o Pe. Peter Stilwell, especialista no diálogo inter-religioso, “fenómenos como a descolonização, a imigração ou a globalização” trouxeram para a Europa populações com outras matrizes culturais e religiosas que é necessário compreender. “Pela primeira vez em muitos séculos convivem juntos o Cristianismo, o Islamismo, o Judaísmo, o Hinduísmo e o Budismo. É preciso que os meios de comunicação social sejam capazes de lê-los, compreender os gestos, as palavras, a retórica em cada um desses contextos”, refere o director da FT. A recente vaga de atentados terroristas oferece um bom exemplo do que deve ser a leitura da motivação religiosa que alegadamente os provoca. “Admitindo que só uma motivação forte como a religiosa consegue levar as pessoas a ir ao extremo de se suicidarem matando outros, é preciso perceber se estes gestos, no quadro do Islamismo, fazem parte dele ou se são resultado de um contexto histórico de subjugação da cultura Ocidental”, conclui o Pe. Peter Stilwell.

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