A saudade é uma dor do amor

José Luís Nunes Martins

Foto de Tim Cooper na Unsplash

O amor que um dia foi verdade nunca desaparece. Pode afundar-se dentro de um coração ao ponto de já ninguém, nem o próprio, o ver. Mas não morre, porque o amor não morre, nunca. Bastará muito pouco para que se manifeste e se revele vivo, apesar de tudo.

É dolorosíssimo aceitar que já não há neste mundo o que há, tão vivo, em nós. O tempo, que quase tudo muda, não muda o amor. O que fica então? A saudade, que congrega três dimensões distintas:

– Uma alegria pura e uma dor profunda por sermos senhores de viver algo raro;

– A vontade imensa de voltar para junto da fonte de onde brotou a razão da nossa esperança;

– A certeza amarga de que é impossível voltar a viver, mas que, apesar de tudo, ainda tudo é possível.

Alguns de nós deixam-se ficar numa destas facetas, outros vivem uma a uma sucessivamente, outros ainda não sabem sequer identificar aquilo que o amor lhes pede agora, depois de lhes ter dado tudo.

O amor faz-me ser quem sou. Se há algo ou alguém que amo que deixa de estar perto, então começa o tempo da luta para encontrar a verdade de que, por mais que não pareça, o nosso amor existe; a dor prova-o com grande evidência.

Não estou só, porque amo. É quando estou mais longe deste mundo que mais sinto aqueles que amo. Não é bom… nem mau. É assim. É amor.

Cada um de nós é um amor no tempo.

O tempo acabará; o amor, não.

 

(Os artigos de opinião publicados na secção ‘Opinião’ e ‘Rubricas’ do portal da Agência Ecclesia são da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)

Partilhar:
Scroll to Top