«O que é o Homem?»; «Como podemos conciliar a barbárie com a existência e a presença de Deus?»; «Deus esteve em Auschwitz?» Estas foram algumas das perguntas iniciais do padre João Gonçalves quando se propôs escrever uma tese a partir de Auschwitz, o campo de concentração onde morreram milhões de pessoas durante o regime nazi, na Alemanha, entre os anos 1939-1945.
Como companheiros, o jovem padre encontrou na literatura racional de Elie Wiesel, nas memórias de Primo Levi ou de Dietrich Bonhoeffer, e na prosa poética orante de Etty Hillesum, pistas para afirmar que se pode falar de Deus em Auschwitz, porque ali se rezou. O sacerdote da Diocese do Funchal diz mesmo que em Auschwitz, Deus foi novamente crucificado e gaseificado, como aconteceu a tantos pequeninos e frágeis.
Mas o livro «De profundis – pensar e acreditar em Auschwitz» não se circunscreve a um período histórico; ele quer dialogar com o tempo atual e reconhecer nos «refugiados, vítimas da guerra, pobres indevidamente repatriados, vítimas de ditaduras horrendas e escravos contemporâneos» umcaminho para que a ética reclame caminhos de intervenção na vida dos homens. Esta publicação, e o seu autor, reclama ainda um diálogo da Teologia com a Literatura e com a vida das pessoas, sob pena de os «teólogos ou crentes saberem mais das coisas do outro mundo do que deste» e falarem para anjos.
