Um trabalho que tem o seu elemento nuclear na leitura da obra terminal de Jean Nabert, «Le désir de Dieu». Referimo-nos à tese de doutoramento de Joaquim Cardozo Duarte, intitulada “A poética do desejo de Deus”, lançada no passado dia 7 de Fevereiro, no auditório do Museu Monográfico de Conimbriga. Um livro “científico”, levado à estampa pela Gráfica de Coimbra, e que, na opinião do doutorado, “está construído na fronteira entre Filosofia e Religião”. A problemática que Jean Nabert (morreu em 1960) apresenta “tem interesse para hoje” porque “indica uma atitude de fé a partir do sujeito”. Não é “uma resposta a uma revelação que vem de Deus” mas “uma fé que se constrói a partir da análise da imanência do homem”. Segundo Joaquim Cardozo Duarte, Jean Nabert tem uma frase que considera significativa: “a imanência tem de ser total, para que a transcendência seja absoluta”. Partindo da consciência “e senão me detiver pelo caminho, nem desistir de ir até ao fim, encontro-me com o divino” – realça. Joaquim Cardozo Duarte chama-lhe “poética” porque “a transcendência tem de ser levada a sério”. Por isso, salienta Jean Nabert, “o desejo de compreensão de si desemboca no desejo de Deus”.
