A Igreja está atenta ao mundo universitário

Maria de Lurdes Figueiral, coordenadora nacional da Equipa do Serviço Nacional de Pastoral do Ensino Superior (SNPES), revela à Agência ECCLESIA os objectivos do primeiro Encontro de Pastoral do Ensino Superior

Agência ECCLESIA – A Igreja Católica em Portugal está a demonstrar maior atenção para com a acção pastoral junto do meio universitário após a criação do SNPES? Maria de Lurdes Figueiral – Eu penso que com a criação desse Serviço Nacional se veio responder a uma necessidade de coordenação, em todo o país, mas isso não vem criar nada de novo. A intenção do SNPES é coordenar, apoiar, criar espaços de diálogo com os organismos diocesanos e com todos aqueles que se empenham neste campo, como os Jesuítas, o Opus Dei e os diferentes grupos eclesiais que dão vida a várias residências universitárias. Estas realidades de serviço da Igreja ao mundo do Ensino Superior estão sob tutela da comissão episcopal do Apostolado dos Leigos e são sempre acompanhadas pela Conferência Episcopal Portuguesa. Claro que avançar para o SNPES denota essa atenção a que se referiu, não sei se crescente ou não, mas é um sinal de que a Igreja tem e quer continuar a ter uma relação próxima com o mundo universitário, não só alunos como professores e funcionários. Além disso, não podemos esquecer o âmbito da Investigação, muito interessante para nós. AE – O próximo Encontro Nacional de Pastoral do Ensino Superior propõe-se conhecer melhor o meio universitário. É possível abordar de uma forma geral uma realidade como esta, em constante mudança, ou estaremos condenados a falar dos vários “meios universitários”? MLF – Esta realidade de mudança é um desafio e uma dificuldade, ao mesmo tempo, e foi por isso que ao fazermos os convites para as conferências e Workshops do Encontro quisemos aprofundar aquilo que se mantém e é comum aos vários meios universitários, o que é constante no mundo do Ensino Superior. Por outro lado, estamos conscientes das mutações e desafios que estão a nascer em Portugal e na Europa, pelo que essa vertente também estará presente no Encontro. AE – O Encontro surge num momento em que sobram vagas no Ensino Superior público e vários cursos não têm qualquer candidato colocado. Os jovens estão a afastar-se da Universidade? MLF – Esses factos têm a ver não tanto com o desinteresse dos jovens com o Ensino Universitário e Superior, uma vez que também não têm outras alternativas, mas sobretudo com a diminuição da população portuguesa nessa faixa etária – a diminuição de alunos no Ensino Secundário está a acontecer há vários anos e, mais tarde ou mais cedo, isso iria reflectir-se na etapa seguinte. AE – Apesar dessa quebra demográfica, é impossível dissociar as opções dos jovens portugueses das vicissitudes do mercado de trabalho? MLF – Eu estou convencida de que se houver alternativas de trabalho mais imediatas, os jovens irão optar por não investir numa carreira de estudo que retarda a sua entrada no mercado de trabalho, com as consequências que isso tem e sem garantia de contrapartidas económicas e sociais apelativas. Acredito, contudo, que seja preciso atender a outros dados e gostaríamos de os tentar descobrir no Encontro de Fátima. AE – É nesse sentido que aparecem no programa temas como a cidadania, o mercado de trabalho ou a mobilidade? MLF – Exactamente, procuramos os temas que nos pareceram mais prementes na realidade portuguesa. Vamos ter um encontro fundamentalmente de reflexão e de estudo, quer pela sua estrutura, quer pelo tempo que é dedicado aos temas e desafios apresentados. AE – Esperam uma adesão significativa de todas as dioceses portuguesas? MLF – Sim, neste momento temos cerca de oitenta inscrições, em representação dessas dioceses, embora não haja confirmação por parte de todas. De qualquer modo, as dioceses onde há maior presença do Ensino Superior e Universitário já asseguraram a sua presença.

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