A Igreja Católica tem de ousar

Vice-reitor da UCP faz o balanço de três dias intensos, marcados pela Semana de Estudos Teológicos e pelo lançamento de novas colecções editoriais De 9 a 11 de Fevereiro a Universidade Católica Portuguesa acolheu a “Semana de Estudos Teológicos”, a IX “Festa do Livro Cristão” e promoveu o lançamento de novas colecções editoriais, ligadas à área da religião. O vice-reitor da UCP, Carlos Azevedo, fez para a Agência ECCLESIA o balanço destes dias de trabalho, vincando que a Igreja Católica tem de arriscar em novos modelos e linguagens. Agência Ecclesia – Em que contexto é lançada, pela Universidade Católica Editora, a colecção “nunc”? Professor Carlos Azevedo – É urgente, na nossa produção livreira, dar não só aquilo que as pessoas consomem, mas dar também o que as educa na fé. As editoras do nosso mercado reagem geralmente a livros com alguma profundidade – porque dizem que não se vendem – e não se formam as pessoas. Dá-se-lhes sempre um pãozinho muito mole, muito “pietista” (aquilo que as pessoas já vão à procura e consomem). Penso que é papel da Editora da Universidade Católica dar outro tipo de literatura, produzindo não só livros de divulgação (como o “campus do saber”, das várias áreas em que na Universidade Católica se produzem textos, pedindo aos seus professores que também façam esse serviço para além da leccionação das aulas), mas também este tipo de reflexões da actualidade, sobre aquilo que se está a passar. Não é uma reflexão jornalística, do dia a dia, em cima do acontecimento, é com alguma reflexão, mas sobre o agora. É isso que a palavra “nunc” quer dizer: o agora, deste momento. Esta obra [“Cultura e Cristianismo Contemporâneo”, de João Duque], para iniciar a colecção, sobre a cultura contemporânea e cristianismo, é uma forma (a melhor possível), porque outras áreas do saber também têm a actualidade, tem temas em cima de acontecimentos e é preciso nós ousarmos reflectir sobre a actualidade para que o futuro seja melhor do que aquilo que nós, desgraçadamente, descremos. AE – É necessário ousar, também, a investigação com profundidade para que, depois, os projectos de nova evangelização tenham sucesso? CA – Eu acho que chegou a hora de deixarmos de falar de nova evangelização e começarmos a fazer alguma coisa. Continuamos numa conversa repetida sobre nova evangelização e não ousamos renovar as estruturas: estourar com algumas coisas que em nada estão ao serviço da Igreja e ousar (nas paróquias, nos movimentos…) um estilo novo. Eu, às vezes, fico um “bocado arrepiado” com algumas experiências que vejo daquilo que pode ser a nova evangelização. Se for isso, não sei se não será mais folclore. E para folclore já temos o suficiente (é preciso um bocadinho, mas talvez não seja preciso tanto). Reflectir sobre isso é importante… AE – Nessa reflexão, é necessário mudar metodologias… CA – Eu acho que sim. Porque se nós fazemos debates, organizamos conferências e as pessoas não vêm, não são as pessoas que estão mal, somos nós que não somos capazes de ter criatividade e imaginação para ir ao encontro das pessoas, para criar um novo tipo de debate, para ir ao encontro delas com uma reflexão e, sobretudo um modo de lhes chegar onde a linguagem da arte seja, talvez, muito mais significativa e concorra para isso. É preciso sobretudo um pouco de ousadia de experiências. O que vemos na comunidade cristã primitiva e o que a História da Igreja nos fala é de gente que ousou formas novas. Nós continuamos a repetir essas formas, a dar-lhes um bocadinho de graxa e de verniz, mas essas são fórmulas um pouco ressequidas e mais do mesmo. Tudo o que aconteceu • Obra do Pe. Sena Freitas inaugura colecção “Religião e Cultura” •Religião e Cultura • A Oração como caminho de conhecimento • Publicações religiosas em destaque na UCP • Cultura Contemporânea e Cristianismo • Novas estratégias para uma Igreja em renovação

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