A homenagem da Madeira

Uma representação oficial da Região Autónoma da Madeira, liderada pelo presidente do governo regional, Alberto João Jardim, vai estar presente na cerimónia de beatificação do Imperador Carlos de Áustria. “Esta beatificação representa, ao mesmo tempo, uma justa homenagem a uma ilustre figura e a um povo, uma terra, que soube acolher uma personalidade inesquecível da História da Europa no século XX”, disse o Secretário Regional do Turismo e Cultura. João Carlos Abreu integra a comitiva oficial que no próximo dia 3 de Outubro vai representar a Madeira. João Carlos Abreu considera ainda que esta beatificação constitui um grande acontecimento para toda a Região “não só pelo facto do Imperador ter escolhido ficar aqui connosco, mas também porque a sua família deixou ficar o corpo entre nós, reconhecendo que os madeirenses sempre tiveram uma grande admiração, um grande carinho pelo Imperador e nunca deixaram que alguém atentasse contra o seu túmulo na igreja do Monte.” Em relação aos vários contributos que a beatificação de Carlos de Áustria pode trazer para a Região, o responsável pela pasta do turismo e Cultura sublinha que “já começamos a fazer uma acção, junto de várias instituições, no sentido de chamar a atenção pelo facto dos restos mortais do Imperador estarem na Madeira”. Vários painéis sobre a vida do Imperador e da sua família na Madeira estarão expostos na Galeria do Turismo, com o apoio do “Museu de Fotografia Vicentes.” O Imperador foi sepultado na igreja do Monte, santuário de grande devoção e centro de peregrinações de todo o povo da Madeira. Na mesma localidade se encontra a Quinta do Monte, onde o futuro Beato viveu os últimos meses e morreu. A Quinta do Monte está a ser recuperada e a SRTC pensa abrir uma parte museológica na casa que se refere à vida do Imperador entre nós. Na Madeira há, de facto, uma memória ainda muita viva da sua pessoa e continua a haver uma devoção e piedade à volta do seu túmulo e do lugar onde viveu os últimos meses. Também no estrangeiro tem crescido o interesse pelo conhecimento do roteiro dos últimos dias de vida do Imperador. O pároco do Monte, Pe. Manuel Romão, revela que “turistas de toda a Europa passam por cá quase diariamente e há excursões directas só para verem o túmulo do imperador.” O túmulo de Carlos de Áustria não sairá da Madeira, segundo a garantia dada pelo filho do Imperador, arquiduque Otto. Exposição comemorativa Uma exposição comemorativa da beatificação de Carlos de Áustria estará patente ao público, nos próximos dias, na Galeria da Secretaria do Turismo e Cultura, com fotos da “Casa Museu Fotografia Vicentes”. Num primeiro painel apresentam-se fotos da família imperial, desde chegada em Novembro de 1921, até à partida da imperatriz Zita Borbone Parma, em Maio de 1922, com os seus oito filhos. O segundo painel fixa-se no ano de 1968, em que se regista a única volta à Madeira da imperatriz Zita, para inaugurar a Capela tumular na igreja do Monte. Seguem-se as fotos do 50.º aniversário da morte do imperador, 1 Abril 1972, e da primeira exumação do cadáver. A comemoração do nascimento de Carlos de Áustria, em 1987, também está documentada nesta exposição fotográfica. E, finalmente, apresenta-se a história geneológica do imperador, com raízes portuguesas. Carlos de Áustria era bisneto da rainha portuguesa D. Maria II; e a imperatriz Zita de Borbone Parma era descendente do rei D. Miguel de Portugal. O imperador era também sobrinho-neto da imperatriz Sissi que esteve na Madeira em 1860 (hospedando-se então na Quinta Vigia) e em 1893-94 (ficando hospedada no Hotel Reid’s). A árvore geneológica revela ainda como Carlos de Áustria sucedeu a Francisco Fernando, príncipe herdeiro do trono imperial austro-húngaro, assassinado num atentado em Junho de 1914, por nacionalistas sérvios, iniciando-se assim a Primeira Guerra Mundial.

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