A Igreja Católica está a discutir os desafios levantados à sua acção pelo fenómeno do turismo no “Congresso Mundial sobre a Pastoral do Turismo”, em que se abordou o acolhimento como missão evangelizadora da Igreja, a abertura a outras realidades, a pastoral do turismo desde o ponto de vista dos países de acolhimento, sobretudo do Terceiro Mundo. Durante o congresso, a decorrer na capital da Tailândia e organizado pelo Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, o arcebispo Raul N. Gonsalves, Patriarca emérito de Goa e Damão (Índia), denunciou que “muitos países destino de turismo sentem não só a triste experiência de não receber os benefícios que esperavam para melhorar as suas condições de vida, como também se vêem privados dos seus recursos naturais, defraudados e explorados pelas forças do mercado que concebem e capitalizam o turismo como uma indústria e um negócio”. “A nossa concepção deve ser a de um novo turismo mundial onde as pessoas enriqueçam as suas vidas com encontros que salvaguardem a dignidade de toda a pessoa, onde se respeitem as diversas heranças culturais, se proteja e fomente a integridade do planeta e se potencie a harmonia e a paz”, disse. Na sessão de abertura deste Congresso Mundial, o cardeal Stephen Fumio Hamao, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, esclareceu que esta iniciativa “tem a clara intenção de manifestar a preocupação particular da Igreja em relação aos países que são meta turística, sobretudo aqueles em desenvolvimento”. “É indiscutível a contribuição do turismo para o desenvolvimento económico e social dos países”, constatou o purpurado japonês dirigindo-se aos 110 participantes procedentes de 35 países. Entre eles, o padre José da Silva Lima, professor da Faculdade de Teologia-Braga. Por seu lado, o arcebispo Agostino Marchetto, secretário do mesmo Dicastério da Santa Sé, apresentou um relatório sobre o que de mais importante aconteceu ao nível da pastoral do turismo da Igreja Católica desde o último congresso, realizado em Éfeso (Turquia) em 1998. O prelado destacou as cinco mensagens escritas por João Paulo II para a Jornada Mundial do Turismo, celebrada no dia 27 de Setembro, assim como as “orientações” publicadas há três anos pelo Conselho Pontifício de que faz parte. Agostino Marchetto falou ainda da necessidade de incluir o estudo da pastoral do turismo nos programas dos centros académicos, recalcando os dois assuntos tratados no congresso que termina hoje em Banguecoque: o turismo social e a luta contra a exploração sexual provocada pelo turismo. “O turismo sexual é uma praga vergonhosa e bárbara, e somente a hipocrisia quase universal impede de medir os efeitos devastadores em toda a sua profundidade”, disse. “Ocorre que a nossa atenção pastoral vá além da ajuda – que deve ser total – às vítimas da exploração económica por motivos sexuais, além também da compreensão das circunstâncias de pobreza que a favorece e que devemos fazer todo o possível para aliviá-la”, concluiu este responsável.
