Intelectuais, dissidentes e sociólogos de diversas universidades chinesas afirmam que «a China precisa do cristianismo . Segundo eles a mensagem de Cristo “concede um sentido absoluto ao indivíduo e cria uma mentalidade de amor e de caridade que alenta realmente a servir o povo». A ideia está presente na nova obra do jornalista Bernardo Cervellera «Missão China: viagem ao império entre mercado e repressão», apresentado ontem em Roma. «75% dos estudantes universitários de Pequim e Shangai estão interessados no cristianismo» explicou o Pe.Cervellera, director da agência de informação «Asia News». «O cristianismo ajuda a fundamentar a liberdade e a servir realmente o povo, que era o lema de Mao-Tse-Tung, mas que com o marxismo não foi realizado», assegura Cervellera, que entre 1997-2002 dirigiu a agência «Fides» da Congregação vaticana para a Evangelização dos Povos. Em relação à liberdade religiosa, este missionário do PIME (Pontifício Instituto Missões Estrangeiras) declarou que este direito «inclui a possibilidade de associar-se ou de ter contactos internacionais”, coisa que não existe hoje na China. Neste sentido, Cervellera, que foi professor na Universidade de Pequim, fez um apelo aos investidores económicos para recordar que «não podem visar somente os lucros rápidos mas devem preocupar-se também com os direitos humanos». Este «vínculo entre empresa e ética é uma necessidade», insistiu Cervellera, que deu como exemplo o doutor John Kamm, um católico norte-americano que há 15 anos assessora empresas multinacionais que investem na China e pede que no contrato coloquem condições éticas, como um salário digno para os padrões chineses ou a libertação de algum dissidente, incluindo os bispos. «O doutor Kamm conseguiu libertar mais de 500 pessoas com estas cláusulas éticas nos contratos empresariais», revelou o autor.
