Papa vai continuar hospitalizado nos próximos dias

O porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls, anunciou esta manhã que o Papa continuará internado na Clínica Gemelli “ainda mais alguns dias”, justificando esta decisão por “motivos evidentes de prudência”. O comunicado oficial do Vaticano sobre o estado de saúde do Papa assinala que “continua a melhoria das condições gerais do Santo Padre, que já não tem febre, se alimenta regularmente e já passou algumas horas num sofá”. O próximo comunicado será emitido no dia 10 de Fevereiro, quinta-feira, pelas 12h00 (11h00 GMT). Aos jornalistas, Navarro-Valls acrescentou que João Paulo II continua a receber “numerosas cartas e mensagens” com votos de rápida recuperação. “Muitas pessoas confiam os seus sofrimentos ao Papa, que as tem presentes a todas na sua oração”, apontou. O porta-voz do Vaticano adiantou ainda que o Papa concelebra a Missa todos os dias, no seu quarto, com a participação de todo o pessoal que lhe presta cuidados. Com algum humor, Navarro-Valls indicou que João Paulo II lê os jornais diariamente para, como diz, “seguir o andamento da minha doença”. Na primeira aparição pública desde que foi internado, João Paulo II assomou ontem à janela do seu quarto no 10º andar da Clínica Gemelli, em Roma, e abençoou os fiéis no final da oração do Angelus, após ter assegurado, na sua mensagem dominical, que “vai continuar a servir a igreja e a humanidade do mundo inteiro”. A mensagem foi lida pelo substituto do Secretário de Estado do Vaticano, o arcebispo argentino Leonardo Sandri. O Papa permaneceu na janela durante nove minutos, enquanto D. Leonardo Sandri, a seu lado, lia o texto da oração do Angelus, tendo sido aplaudido por centenas de fiéis que se concentraram no pátio do hospital. Os aplausos repetiram-se na Praça de São Pedro, no Vaticano, onde os milhares de fiéis ali concentrados viram e ouviram o Papa através de quatro ecrãs gigantes e outros tantos potentes altifalantes. A bênção de João Paulo II, visou todos os “que em qualquer parte do mundo se interessaram pelo estado de saúde do Papa e os médicos, enfermeiras e pessoal que o assistem”. “Asseguro a todos e a cada um minha gratidão, que se traduz numa constante invocação ao Senhor pelas vossas intenções, bem como pelas necessidades da Igreja e pelas grandes causas do mundo”, escreveu. No dia em que, em Itália, se celebrou “a Jornada da vida”, o Papa voltou a fazer uma condenação do aborto. “Acreditem na vida pelas qual as crianças que ainda não nasceram clamam”, referia a mensagem do Angelus, na qual João Paulo II afirmava estar ao lado dos bispos italianos que instam os católicos e os homens de boa vontade a defender o direito fundamental da vida em respeito pela dignidade da pessoa humana. “Confiança pedem também as numerosas crianças que, ao ficar sem família por diferentes motivos, podem encontrar uma casa de acolhimento através da adopção e do cuidado temporário”, acrescentava o texto, no qual se considerava que o “desafio da vida” é o primeiro dos grandes desafios da humanidade de hoje. O Papa foi internado na passada terça-feira, com uma laringotraqueíte aguda, devido a uma gripe que lhe provocou graves problemas respiratórios.

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