João Paulo II tem feito da sua doença, ao longo dos últimos anos de Pontificado, uma forma de transmitir a mensagem cristã sobre os problemas do sofrimento e o papel dos doentes na missão da Igreja. Na proximidade da celebração do XIII Dia Mundial do Doente, que este ano se celebrará em Yaoundé (Camarões) de 9 a 11 de Fevereiro, o Papa enviou uma carta ao seu enviado especial, o Cardeal Javier Lozano Barragán, na qual pede a todos na Igreja que possam “acolher os frutos fecundos deste acontecimento eclesial e fazer-se diligentes promotores de uma nova evangelização”. Ao presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde é lembrada a importância, na Igreja, de “prestar um cuidado atento ao proveito espiritual de todos os doentes”. “Os doze apóstolos de Cristo, por Ele enviados dois a dois com poder sobre os espíritos imundos, ungiam com óleo os enfermos e os curavam”, assinala, dando o exemplo da Igreja primitiva. Nesse sentido, considera que “muitos são os fiéis a que se apresentam na vida diária sofrimentos e múltiplas dificuldades, com necessidade de um alívio celeste e de uma consolação grata ao seu ânimo”. Fazem parte da representação do Papa, além do Cardeal Lozano Barragán, os sacerdotes Théodore Toko, secretário adjunto da Conferência Episcopal Nacional de Camarões (CENC), e Paul-Marie Philémon Mbida, responsável da Pastoral da Saúde da arquidiocese de Yaoundé. Na mensagem para o Dia Mundial do Doente 2005, João Paulo II lançou um apelo para que se combata a Sida através “da castidade e de uma sexualidade correcta”. “Para combater a Sida de uma maneira responsável, é preciso aumentar a prevenção pela educação para o respeito do valor sagrado da vida e a formação para uma prática correcta da sexualidade”, refere. A mensagem dedica grande parte da reflexão ao continente africano e à pandemia que o afecta. Em relação ao número crescente de contágios pela via sexual, o Papa vinca que “elas podem ser evitadas, sobretudo através de uma conduta responsável e do respeito à virtude da castidade”. Pedindo que os governos e as autoridades civis assegurem aos cidadãos “informações claras e correctas”, lamentando que “os conflitos que afectam numerosas regiões africanas tornem muito difíceis as intervenções para tratar os doentes”. A mensagem papal encoraja as organizações internacionais a “promover iniciativas inspiradas pela sabedoria e a solidariedade, visando sempre a defesa da dignidade humana e o direito inviolável à vida”. A crítica à indústria farmacêutica é retomada, com o Papa a apontar que “face às emergências da Sida, a salvaguarda da vida humana deve ser tomada acima de qualquer outra consideração”.
