É necessário que o amor desmedido por Jesus Cristo conduza a uma paixão pelo mundo. «Num momento em que a maioria das pessoas critica o mundo – a política, economia, cultura e mentalidades –, o religiosos deviam nutrir um grande amor por este. Não adianta condenar o mundo, mas torná-lo mais justo e fraterno. Aliás, Deus convida-nos a amar o mundo para que este seja salvo», referiu D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga, na homilia que proferiu, dia 30 de Janeiro, na Basílica dos Congregados, em Braga, na celebração do Dia do Consagrado (DC). A cerimónia, antecipada por iniciativa do Secretariado dos Institutos Religiosos bracarenses (visto que, oficialmente, o DC é assinalado no dia 2 de Fevereiro, festa litúrgica da Apresentação do Senhor), juntou os religiosos que residem e trabalham naquela diocese minhota. Classificando a celebração diocesana como «uma oportunidade para reflectir sobre o sentido da vida consagrada na igreja particular», o prelado questionou os religiosos presentes sobre o seu modo de vida dizendo que «Deus faz um convite concreto e preciso àqueles que acreditam serem pequenos e crêem noutros valores». Numa alusão a um congresso realizado, há cerca de dois meses, em Roma, sobre o “Consagrado, aquele que tem paixão por Cristo e pelo mundo”, D. Jorge Ortiga convidou os religiosos a encontrarem interiormente aquilo «que os move e arrasta». Vocações dependem do testemunho de vida «A igreja tem de procurar, por paixão e sacrifício, Jesus Cristo e servir o mundo. Por isso, somos convidados a criar novas formas de o servir para “encantar os outros”. Assim, a verdadeira promoção vocacional é feita com a nossa vida. As vocações surgem na medida em que testemunhamos essa paixão», referiu D. Jorge Ortiga, que, numa alusão ao Ano Eucarístico, recordou que «a evolução da “técnica vocacional” é importante, mas os candidatos surgem na medida em que somos eucarísticos». Finalmente, o prelado afirmou que «procurar Cristo em cada situação, equivale a evitar a mentalidade do “já temos”, “já somos” ou “já atingimos a meta”. A vida não está completa e realizada», avisou o Arcebispo de Braga. Posteriormente, os religiosos acenderam uma vela, num gesto que simbolizou a luz que cada consagrado deve tentar ser para as outras pessoas, numa imitação de Cristo.
