João Paulo II manifestou hoje votos de uma “paz estável” na Arménia ao receber no Vaticano o presidente desse país, Robert Kotcharian. “Desejo uma paz verdadeira e estável na região de Nagorny-Karabakh”, disse sublinhando que isso apenas poderá acontecer “através da firme recusa da violência e de um diálogo paciente entre as partes”. No seu discurso, o Papa defendeu ainda a necessidade de “uma mediação internacional activa”. O Nagorny-Karabakh é um enclave de população maioritariamente arménia no Azerbaijão que tem sido palco de um conflito sangrento desde os anos 90. Actualmente está sob controlo da Arménia, mas o governo azeri tem ameaçado com o uso da força para retomar o território. “A Santa Sé, que no decorrer dos séculos não deixou de denunciar a violência e de defender os direitos dos mais pobres, continuará a apoiar qualquer esforço destinado a construir a paz sólida e duradoura”, vincou João Paulo II. O discurso papal destacou as relações de amizade entre a Igreja Católica e a Igreja Apostólica Arménia, considerando que este entendimento “terá, seguramente, repercussões positivas para a convivência pacífica de todo o povo arménio, chamado a enfrentar numerosos desafios sociais e económicos”. O Papa pediu ainda que o estatuto da Igreja Católica no país seja “aperfeiçoado” quando tal for necessário, para que cresça a colaboração entre Igreja e Estado.
