Os bispos alemães escreveram uma declaração conjunta, em memória dos 60 anos de libertação do campo de concentração nazi de Auschwitz, na Polónia, recordando a “ferida” que o nazismo provocou na humanidade e reprovando “a vergonhosa humilhação à qual foram submetidos milhões de seres humanos”. “Por ocasião da celebração 27 de Janeiro, desejamos que cada vez com maior intensidade, polacos, alemães, judeus e cristãos se possam encontrar para celebrar uma memória comum, até mesmo neste lugar de grande sofrimento, mas também sinal de esperança para o presente e para o futuro”, assinala o documento. Para os prelados, a recordação do Holocausto “é um convite a erradicarmos qualquer forma de anti-semitismo da humanidade e também para trabalharmos intensamente, para que actos vergonhosos como esse nunca mais se repitam na história da humanidade”. As falhas da Igreja Católica também foram assumidas, com os prelados a lembrar que “todos temos de nos dar conta de uma longa tradição de anti-judaísmo entre os cristãos e na nossa Igreja”. A esse respeito, a Declaração recorda que o documento do Vaticano “Nós recordamos: uma reflexão sobre a Shoah”, de 16 de Março de 1998, e os gestos de pedido de perdão do Papa em 2000. “Damos graças a todos aqueles que, com grande compromisso, se esforçam pelo diálogo entre judaísmo e cristianismo”, assinalam. A gratidão dos prelados vai ainda para os muitos judeus que nos últimos anos regressaram à Alemanha, reconhecendo que “temos ainda um longo caminho de purificação diante nós”. No aniversário de ontem, a Cruz da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e o Ícone de Maria estiveram presentes no antigo campo de concentração da Ravensbruck, dentro da sua peregrinação de reconciliação através das dioceses alemãs.
