Um mês depois da tragédia que colocou o mundo em estado de choque, os cristãos, budistas, hindus e muçulmanos do Sri Lanka juntaram-se hoje na cidade de Colombo para uma cerimónia inter-religiosa, em memória das 30 mil vítimas do país. Já na Indonésia, na província do Aceh, com uma população predominantemente muçulmana, as associações católicas de solidariedade e assistência presentearam uma mesquita local com uma vaca e três carneiros na festa do Eid al-Adha. As dificuldades que estas organizações têm encontrado no terreno apenas são superadas pela necessidade de recomeçar a reconstrução do país, quanto antes, num processo que poderia levar entre 5 a 10 anos. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) tem alertado para os riscos decorrentes das condições de saneamento, que continuam a ameaçar centenas de milhares de sobreviventes, sobretudo crianças e mulheres, alojados em campos de refugiados. O balanço dos mortos ultrapassou ontem as 280 mil pessoas. Milhares de corpos continuam a ser encontrados todos os dias na Indonésia, centenas de turistas estrangeiros estão ainda por identificar na Tailândia e o Sri Lanka e a Índia vêem-se confrontados com a reconstrução de comunidades inteiras. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o maremoto destruiu um milhão de postos de trabalho na Ásia. Os danos causados ao ambiente são igualmente importantes, em particular nos recifes de corais e mangais. Enviado especial do Papa João Paulo II enviará no início de Fevereiro o arcebispo Paul Josef Cordes, presidente do Conselho Pontifício “Cor Unum”, ao sudeste asiático para manifestar a sua proximidade à população e alentar a solidariedade com as vítimas do tsumani. A agência romana Zenit cita fontes do Vaticano para assegurar que o enviado especial do Papa visitará o Sri Lanka e a Indonésia, mantendo encontros com a população, com os representantes católicos – que estão a oferecer uma contribuição decisiva na reconstrução – e com autoridades civis. Imediatamente após a tragédia de 26 de Dezembro, o Papa decidiu enviar, através do Cor Unum, ajuda imediata às populações atingidas pelo maremoto no sudeste asiático. Mais de 280 mil pessoas morreram por causa do sismo e do maremoto que atingiram 11 países, no Oceano Índico. O “Cor Unum” é uma instituição directamente dependente do Papa, destinada a apoiar financeiramente acções de promoção humana e solidariedade junto das populações vítimas de calamidades naturais ou de situações de conflitos armados. No passado dia 19 de Janeiro, o observador permanente da Santa Sé na ONU, arcebispo Celestino Migliore, informou que os organismos católicos já reuniram cerca de 500 milhões de dólares para as populações atingidas.
