João Paulo II defendeu esta manhã que a Igreja deve olhar com “particular solicitude” para as zonas do mundo onde os doentes de Sida “estão privados de assistência”. O Papa falava aos participantes na assembleia plenária do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde (CPPS), por ocasião do 20º aniversário da fundação do Dicastério, instituído com o Motu Proprio “Dolentium hominum”. A Santa Sé apresentou em Dezembro a Fundação “O Bom Samaritano”, uma espécie de Fundo Global da Igreja Católica que tem como objectivo ajudar economicamente os doentes mais necessitados, de modo particular os contagiados pelo VIH/Sida. O próprio Papa contribuiu com 100 mil Euros para o arranque da iniciativa. “A Fundação ‘O Bom Samaritano’ tem como objectivo contribuir na ajuda às populações mais expostas com o necessário suporte terapêutico”, disse hoje João Paulo II. “O Bom Samaritano” trabalha de duas formas: o primeiro movimento consiste em solicitar recursos entre os católicos de todo o mundo; a segunda operação é distribui-los para a ajuda aos doentes mais pobres e desprotegidos a nível internacional, assim como para a prevenção da Sida. O Papa pediu ainda aos responsáveis da Igreja em todo o mundo uma atenção “estimulante e laboriosa” para com as situações de “marginalização e carência de apoio social” de que sofrem os doentes”. “Esta atenção deve estender-se também às áreas do mundo onde os doentes mais necessitados não têm fármacos e assistência adequada, apesar dos progressos da ciência”, assinalou. Soluções de morte João Paulo II quis destacar, no seu discurso, a importância que atribuiu ao trabalho da Igreja na área da saúde, assegurando que “a actividade de formação de consciências e o testemunho de caridade do vosso Dicastério (CPPS, ndr) constituem um contributo precioso”. “A Igreja, na sua acção pastoral, é chamada a enfrentar as questões mais delicadas e não eludíveis que surgem na alma humana, diante do sofrimento, a doença e a morte: é na fé em Cristo morto e ressuscitado que essas interrogações podem encontrar o conforto da esperança que não falha”, disse o Papa, também ele marcado pela doença. Ao presentes, João Paulo II alertou para as “soluções de morte” que o mundo moderno oferece perante essas questões, pedindo que a Igreja promova, com urgência, “uma nova evangelização e um forte testemunho de fé nestas amplas áreas secularizadas”. A Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para a Pastoral da Saúde decorreu nos últimos dois dias, juntando cerca de 40 participantes para rever o Plano de trabalho para 2002-2007. Os programas do Conselho Pontifício dividem-se por três Ministérios: o Ministério da Palavra, com 11 programas, o Ministério da Santificação, que conta com seis programas, e o Ministério da Comunhão, com 36 programas. No âmbito deste último Ministério inclui-se o trabalho desempenhado pela Fundação “O Bom Samaritano”. O Papa pediu ao CPPS que “oriente, sustente e encoraje o trabalho que, neste campo, é promovido pelas Conferências Episcopais, Organizações e Instituições Católicas”.
