O Bispo do Porto, D. Armindo Lopes Coelho, lamentou hoje que apenas a parte mais negativa do relatório da Inspecção-Geral do Ministério da Segurança Social sobre a Casa do Gaiato tenha sido abordada pela opinião pública. “Eu tenho o relatório confidencial da Segurança Social, não o entreguei a ninguém, nem o vou comentar, mas posso dizer que fiquei surpreendido. Aliás, o senhor ministro acaba de nos informar que apenas que foi publicada a parte mais negativa, mais problemática desse relatório”, disse o prelado aos jornalistas após uma reunião na Casa do Gaiato de Paço de Sousa entre os responsáveis da Obra, o ministro Fernando Negrão e o próprio Bispo do Porto. D. Armindo Lopes Coelho salientou ainda que, numa instituição deste género – internato -, qualquer “caso pontual” que aconteça “em vez de ser publicitado como um escândalo, é um verdadeiro purgatório para quem tem a responsabilidade pela instituição”. O prelado disse que os responsáveis da Obra do Padre Américo “dão o melhor da sua vida, da sua energia, do seu amor para prestar este serviço à sociedade”. Fernando Negrão, ministro da Segurança Social, defendeu que “é preciso repor a Casa do Gaiato no devido sítio, que é o da dignidade das crianças, de muitos anos de apoio às crianças mais desfavorecidas deste país”. O ministro da Segurança Social diz que desde Dezembro, altura em que foi realizada a auditoria, muito foi feito para melhorar na Casa do Gaiato. “Na sequência desse relatório foi criada uma comissão com elementos da Casa do Gaiato e da Segurança Social que poderá a curto prazo, em menos de um mês, anular a decisão que proíbe a vinda de crianças para a Casa do Gaiato”, afirmou. Quanto aos indícios de maus-tratos o responsável lembra que “muitos dos processos têm sido arquivados, outros continuarão, mas isso é matéria que está nos tribunais e os tribunais têm de as decidir”. “Tudo o que não seja matéria do poder judicial foi tratado e está a ser tratado, pelo que a Casa do Gaiato está a funcionar plenamente”, adiantou. D. Armindo Lopes Coelho disse acreditar que a presença do ministro “veio por uma pedra sobre um passado recente agitado”.
