João Paulo II voltou hoje a lançar um apelo pela unidade entre todos os cristãos, de modo especial com a Igreja Ortodoxa. Ao receber no Vaticano os participantes do sínodo das eparquias orientais na Itália (divisões correspondentes às nossas dioceses), o Papa referiu que os católicos de rito oriental devem “prosseguir os contactos, graças à tradição litúrgica comum, com as Igrejas Ortodoxas” e promover iniciativas ecuménicas nas suas comunidades. Na sua intervenção, o Papa rezou para que “o Senhor omnipotente conceda a todos os crentes que vivam plenamente a unidade da mesma fé”. Ao longo de 2004, João Paulo II promoveu um amplo esforço de desenvolvimento de aproximação com a Igreja Ortodoxa, nomeadamente a Igreja Ortodoxa Russa. Nesse sentido, ganharam destaque dois gestos simbólicos: as devoluções à Igreja Ortodoxa Russa do ícone da Madre de Deus de Kazan e das relíquias de S. Gregório de Nazianzo e de S. João de Damasceno ao Patriarcado Ecuménico de Constantinopla. Tanto no Oriente como no Ocidente há católicos que reconhecem o primado do Papa, apesar de terem diferenças entre si nos seus ritos, liturgia, disciplina eclesiástica e património espiritual. Esta diversidade de ritos, diz o Concílio Vaticano II e no Decreto Orientalium Ecclesiarum (sobre as Igrejas do Oriente), “não só não prejudica a unidade da Igreja Católica como a explicita”. O rito bizantino não significa uma separação de Roma, mas traz consigo uma riqueza espiritual que ajuda compreender e concretizar a universalidade da Igreja.
