A ocupação israelita e a barreira de segurança construída por Jerusalém na Cisjordânia foram denunciadas pelo Patriarca de Jerusalém durante a Missa do Galo, em Belém. “A nossa situação é uma situação de conflito e de violência, de insegurança e de medo, de ocupação militar, da barreira de separação, de cidades-prisão, de humilhações”, afirmou o Patriarca latino Michel Sabbah, na homilia da Missa na cidade onde, segundo a tradição, Jesus Cristo nasceu. “Rezamos para que todos os muros caiam, os que estão à volta de Belém e de outras cidades palestinianas, e os muros de ódio nos nossos corações. Isto já durou há tempo demasiado. É tempo de vencer a violência nas almas e nos corações das pessoas e dos dirigentes”, afirmou o Patriarca de Jerusalém perante milhares de fiéis, incluindo representantes palestinianos. O Patriarca de Jerusalém saudou o facto de, pela primeira vez em quatro anos, Israel ter autorizado a presença na celebração eucarística católica em Belém de dirigentes palestianos, como Mahmud Abbas e Rawhi Fattouh, presidente interino da Autoridade Palestiniana. Nos últimos quatro anos, Israel impediu o ex-presidente palestiniano Yasser Arafat de fazê-lo, acusando-o de incitar à violência. “Agradecemos a Deus e desejamos que todas as religiões neste país vivam, em paz e segurança”, afirmou Abbas. Desde 2002 que a cidade de Belém está cercada pelo exército israelita e com o recolher obrigatório há agora menos peregrinos e turistas. O Pe. Peter Madros, pároco em Belém, falou à Rádio Renascença de uma “situação de instabilidade”. “A vida não é tranquila. Há 80 mil peregrinos a menos que no ano passado e 9% dos cristãos palestinianos da região de Belém já emigraram nestes últimos anos. Mas estamos com esperanças que as coisas mudem com a nova liderança palestiniana”, referiu.
