Crise no Darfur agrava-se

As negociações de paz em Darfur estão novamente paralisadas: a última sessão realizou-se a 21 de Dezembro, em Abuja, capital da Nigéria. O Presidente nigeriano Olesegun Obasanjo, encarregado pela União Africana de mediar a crise, encontrou-se com os representantes dos movimentos rebeldes de Darfur e do governo sudanês para concluir, oficialmente, a ronda de colóquios. O fracasso das negociações de paz deverá piorar a grave crise humanitária da região. Um dramático testemunho da situação de quase 2 milhões de desabrigados de Darfur foi enviado pela “Caritas Internationalis”. “Talvez da janela de um avião ou de um helicóptero para transportar pessoal humanitário se possa compreender a dimensão do que aconteceu em Darfur nos últimos 18 meses”, lê-se no texto enviado à Agência do Vaticano para o terceiro mundo, Fides. “Cidades como Nyala, no sul de Darfur, e Zalingei e Garsilla, no oeste, foram radicalmente transformadas: os seus limites foram alargados por milhares de barracas e centenas de acampamentos de refugiados”, acrescenta a organização. A Cáritas, a operar no local, refere que o Darfur “tornou-se, por estes dias, num local onde a tensão é palpável”. Para a confederação internacional deste organismo católico, os poucos sinais de esperança chegam dos esforços da missão conjunta das instituições cristãs Action by Churches Together/Cáritas. “Darfur é uma área na qual a guerra pode explodir com inexorável rapidez, em regiões pouco distantes de centros habitados, onde os refugiados, por medo de novas violências, não deixam os acampamentos”, avisa a “Caritas Internationalis”. O conflito que afecta o Sudão desde 1983 causou cerca de 2 milhões de vítimas e quase 5 milhões de refugiados. Desde Fevereiro de 2003 que a região ocidental do Darfur vive em guerra civil, fomentada por grupos rebeldes contrários ao governo de Cartum, que acusam de descurar a região e de apoiarem as milícias árabes “Janjaweed”.

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