Situação da Igreja norte-americana esteve em análise ao longo dos últimos 9 meses João Paulo II deixou hoje uma palavra de alento e esperança para a Igreja nos EUA, seriamente afectada pelos escândalos de pedofilia que envolveram o clero norte-americano. Mais de 4.000 padres norte-americanos foram considerados culpados de abusos sexuais a menores entre 1950 e 2002, segundo um relatório da Conferência episcopal dos Estados Unidos, divulgado no mês de Fevereiro. Segundo o Papa, o recente “escândalo” deve tornar-se um “sinal dos tempos” e uma “ocasião providencial de conversão” para os católicos dos EUA, a quem convidou a um testemunho de “clara identidade católica”. Hoje no Vaticano foi recebido o último grupo de Bispos norte-americanos, que desde Março deste ano estão em visita “ad Limina”. Ao longo destes 9 meses, a vida da Igreja Católica nos EUA foi passada em revista, naquela que foi a análise mais exaustiva da situação desde que rebentou o escândalo nacional de abusos sexuais, há dois anos. O Papa assegurou que estas visitas representaram “uma fonte de consolação” e que partilhou com os prelados norte-americanos “a profunda dor que experimentaram nos últimos anos”. As visitas acontecem cada 5 anos e o seu nome vem da expressão latina “ad Limina apostolorum” (aos túmulos dos apóstolos), em referência à peregrinação aos túmulos dos apóstolos que os bispos devem fazer. A viagem ao Vaticano inclui três partes distintas. A primeira é o encontro dos bispos com o Papa; na segunda parte, os bispos rezam nos túmulos dos santos Pedro e Paulo em Roma; a terceira parte oferece a oportunidade aos bispos de se encontrarem com os colaboradores do Papa, Prefeitos de Congregações vaticanas e Conselhos Pontifícios “Testemunhei a vossa determinação em tratar de forma justa e directa as questões pastorais que daí resultaram”, disse João Paulo II no discurso destinado aos Bispos norte-americanos. O Papa concluiu o seu discurso apontando duas prioridades para o futuro mais imediato da Igreja Católica no país: “a necessidade de evangelização da cultura em geral” e “a necessidade de que os católicos colaborem proficuamente com os homens e mulheres de boa vontade para edificar uma cultura de respeito da vida”.
