A Igreja Católica presente na Costa do Marfim considera que a situação humanitária no país “é trágica”. Segundo o Pe. Cesare Baldi, missionário do Instituto Pontifício das Missões Exteriores (PIME), “as periferias de Abidjan estão repletas de pessoas sem casa, que vieram das regiões do norte, em fuga dos combates e dos abusos dos rebeldes”. “Noutras missões, no confim entre norte e sul, continuamos a receber gente em fuga”. Declarou o missionário em comunicado enviado à Agência Fides. No texto, os membros do PIME no local lembram que “há mais de dois anos que a Costa do Marfim se afunda numa espiral de violência e intrigas político-económicas sem solução”. Entre o fim de 2002 e o início de 2003, os missionários do PIME prestaram assistência a pelo menos 15 mil refugiados. Hoje, o êxodo em direcção ao sul recomeçou. Na área controlada pelos rebeldes nada funciona: escolas hospitais e postos de saúde estão fechados há dois anos, assim como as estradas, enquanto todas as actividades agrícolas e comerciais estão fortemente comprometidas. Na segunda-feira, o governo e os rebeldes acordaram medidas destinadas ao reinício do processo de paz, sob mediação do presidente sul-africano, Thabo Mbeki. Segundo Mbeki, ambas as partes se comprometeram a iniciar um desarmamento, retomar o governo de coligação e permitir a normalização da vida após os incidentes na maior cidade do país, Abidjan, e noutras áreas.
