Família, caminho da Igreja e da Sociedade foi o tema da Viagem número 100 do Papa João Paulo II. Nos cinco dias que esteve na Croácia, foi constante o apelo para a valorização da vida familiar e da solidificação dessa célula base da família. Será nela que começa a acontecer outro desejo do Papa para todo o povo croata: a reconciliação entre todos os povos, mesmo que nas suas memórias estejam ainda não os sons de tradições culturais, antes de conflitos armados entre Nações vizinhas. No último encontro com o povo croata, no fórum de Zadar, o Papa apontou Maria como exemplo para a evangelização contemporânea. A sua palavra e o seu exemplo constituem uma autêntica escola de vida, nomeadamente para a Família. À imagem da de Nazaré, João Paulo II quer que as famílias croatas sejam testemunhas do projecto de Deus, se fundamentem no matrimónio e vivam a estabilidade e a fidelidade. Consciente das dificuldades que vive o povo croata, – de natureza moral, cultural e sobretudo económica, nomeadamente pela alta taxa de desemprego (22%) – João Paulo II considerou que é na família que a sociedade encontra o princípio da resolução de problemas. “Ajudando a família, contribui-se para solucionar outros problema, como a assistência aos doentes e idosos, a diminuição da criminalidade e combate à toxicodependência”. Reconciliação foi outra palavra que marcou a viagem número 100 do Papa. Na manhã de sábado, próximo da cidade martirizada de Vukovar, João Paulo II pediu a croatas e a sérvios que olhem o futuro, esquecendo os conflitos dos anos 90. Um grande crucifixo, com um braço mutilado durante a guerra, foi colocado junto ao altar do Papa. Era o símbolo do perdão, colocado diante dos mais cem mil peregrinos presentes, vindos também da Sérvia, Bósnia, e Hungria “Após os duros tempos da guerra, que deixou nos habitantes desta região feridas profundas, não cicatrizadas totalmente, o compromisso pela reconciliação, solidariedade e justiça social exige o valor de indivíduos animados pela fé, abertos ao amor fraterno, sensíveis à defesa da dignidade da pessoa, feita à imagem de Deus”, afirmou o Papa na sua homilia. Vukovar, cidade destruída em 1991, e ocupada durante seis anos pelo Exército sérvio era um sinal da destruição bélica: antes do conflito, a cidade tinha 40.000 habitantes, hoje não tem mais que 27.000, grande parte ortodoxos. Nesta região, a guerra provocou a morte de mais de 5.500 pessoas e o êxodo forçado de cerca de 100.000.
