A Santa Sé e o Estado de Israel estão à beira de concluir as negociações tendo em vista a conclusão do acordo financeiro entre os dois Estados. Para o embaixador israelita na Santa Sé, as diligências desenvolvidas desde Julho deste ano fizeram crescer o consenso em relação a um acordo jurídico e financeiro. As negociações acontecem 10 anos depois do “Acordo Fundamental”, assinado pelas duas partes a 15 de Junho de 1994, que inclui temas tão delicados como os vistos de residência de eclesiásticos e a custódia dos bens da Igreja em Israel. O atraso nas negociações sobre a parte financeira do acordo de 1994 tem sido uma fonte de tensões entre o Vaticano e Israel. O que está em questão, com este acordo, é a continuidade e o desenvolvimento das comunidades cristãs na Terra Santa, mormente a isenção fiscal para as congregações e instituições religiosas. Outro ponto de tensões tem sido a negação de renovação dos vistos aos religiosos católicos, por parte das autoridades israelitas. A Igreja na Terra Santa corre o risco de não ter pessoal suficiente para manter em funcionamento santuários, paróquias, hospitais, escolas. Segundo o embaixador Oded Ben-Hur, após oito rondas de negociações, a única questão por resolver é a “da submissão ou não da Igreja Católica à justiça israelita”. Falando aos jornalistas, no seu escritório, o diplomata acusou os sucessivos governos do seu país de terem neglicenciado este acordo “por falta de autoridade e de boa vontade”. No que diz respeito às propriedades eclesiásticas e á fiscalidade, as duas partes chegaram a acordo, sendo que será necessário tratar um a um a lista de litígios que se referem a mosteiros, hospitais, escolas ou institutos religiosos. A próxima ronda de negociações terá lugar de 16 a 17 de Dezembro próximos. A questão da devolução à Igreja Católica do Cenáculo de Jerusalém – que a tradição cristã considera o local da Última Ceia de Jesus -, por parte do Estado de Israel vai ficar de fora desta ronda de negociações. Para os outros Lugares Santos de Jerusalém, a Santa Sé continua a exigir um estatuto internacional garantido.
