Migrações no feminino

Portugal assiste a uma progressiva “feminização” da imigração, não só devido ao reagrupamento familiar, mas à vontade de muitas mulheres partirem rumo ao nosso país à procura de um novo projecto de vida. A Igreja Católica tem-se mostrado sempre atenta às novas questões que esta situação levanta e marcou presença no Seminário “Mulheres Migrantes das Diversas Gerações: Conhecer e Participar nas Sociedades de Origem e de Acolhimento”, realizado entre 26 e 27 de Novembro em Lisboa. Em representação da Comissão Episcopal das Migrações e Turismo, o Pe. Rui Pedro presidiu à sessão de encerramento do evento, organizado pela Associação “Mulher Migrante”, para comemorar o seu 10º aniversário, com a colaboração do Jornal “O Emigrante/Mundo Português”, da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, e da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas. “Alertámos para as questões de algumas mulheres que, na imigração, são as maiores vítimas da exclusão: as reclusas e as trabalhadoras domésticas”, refere à Agência ECCLESIA o Pe. Rui Pedro, director da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM). “Hoje vemos que em vários países da Europa as imigrantes são integradas no trabalho doméstico para dar apoio a idosos ou doentes acamados. Se a tendência continuar, esta será uma mão-de-obra muito procurada e é preciso lutar pela sua dignificação”, acrescenta. A entrada e regularização de mulheres imigrantes e sua família em Portugal foi outro dos assuntos em destaque, chamando-se a atenção para um aspecto de precariedade muitas vezes esquecido: “Algumas mulheres ficam em situação irregular porque o seu projecto familiar falhou e acabam por desligar-se do marido”, assinala o director da OCPM. A mulher migrante vive, em Portugal, numa dupla discriminação. O seminário procurou soluções para que as mulheres migrantes tenham uma igualdade de oportunidades. “É necessário chamar a atenção para a discriminação que ainda existe nos locais de trabalho e na família”, disse Rita Gomes, presidente da Associação organizadora do encontro. A Associação “Mulher Migrante”, que junta mulheres do mundo académico, político, social e artístico, tem como objectivos defender os interesses e direitos das mulheres emigrantes e imigrantes e suas famílias nas sociedades de origem e de acolhimento, além de proporcionar uma melhor integração. Este seminário marcou a estreia do Centro das Comunidades Portuguesas, nas instalações do Jornal “O Emigrante/Mundo Português”, sediado na Av. Elias Garcia, 57, em Lisboa. O espaço está aberto a todas as associações e organizações ligadas ao mundo das migrações e das comunidades portuguesas.

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