A par de sombras existentes no mundo da religiosidade juvenil contemporânea, existe uma grande abertura e sensibilidade para “experiências de oração e espiritualidade” registando-se uma forte adesão a propostas de “peregrinação e encontros de massa”, como as Jornadas Mundiais de Juventude ou, a nível nacional, o Fátima Jovem – referiu Pablo Lima, o director do Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil de Viana do Castelo, no IV Fórum de Animadores Juvenis da diocese dedicado à “Psicologia e Religiosidade do jovem de hoje”, que juntou, dia 27 de Novembro, um conjunto de participantes que deverão, num futuro próximo, tornarem-se nos líderes do mundo juvenil respondendo ao desafio de evangelizar os outros jovens. Outra virtude dos jovens hodiernos colocada em destaque foi a adesão a projectos de “voluntariado juvenil” revelador de uma abertura e disponibilidade para com o mais necessitado. D. José Pedreira, bispo de Viana do Castelo, desafiou aquelas algumas dezenas de jovens a adquirirem uma formação básica alargada, com uma forte presença dos valores religiosos, em ordem a um profundo trabalho de ligação intercultural. Exortando estes jovens a ultrapassarem a tendência dos cristãos de se ficarem por uma formação rudimentar da fé, D. José Pedreira preconiza que esse crescimento leve os “jovens a organizarem-se em grupos de acompanhamento mútuo” que lhes permitirá enfrentar os desafios de futuro com uma melhor inculturação no tempos modernos com marcas específicas. No âmbito de propostas de trabalho com estes jovens disponíveis, Pablo Lima preconiza uma educação para a “fé com solidez” que passa por itinerários de fé bem construídos e estruturados. Paralelamente defende a necessidade de educar para “o silêncio e contemplação” e para a “escuta da Palavra”. Na aplicação destas propostas surge a necessidade de “descer aos lugares onde estão os jovens das nossas paróquias”, contudo, alertou, “nada de usar paternalismo obsoletos”, mas fazer-lhes “uma proposta corajosa, convicta e audaz”, sem nunca “desistir deles”. Pablo Lima defende que existe um trabalho primeiro a realizar com os jovens que é “curar-lhes as feridas”. Sob esta imagem, o director da Pastoral Juvenil chama atenção para os contravalores, como o ódio, a violência, o abuso, o materialismo e o egoísmo, com que estão impregnados os mais novos. Ao mesmo tempo aponta para a tarefa de ajudar a “ver que é possível outra forma de viver” Neste encontro a Irmã Fátima Pires “desenhou” os traços psicológicos nos jovens de hoje apontando para o paradoxo que vivem : a necessidades do sagrado versus o desejo de secularização ou a sede de amor e intimidade afectiva versus o amor desordenado. O Salesiano Rui Alberto encerrou este encontro com a apresentação de itinerários de catequese para jovens.
