A diminuição das taxas de natalidade, o aumento da esperança de vida, a diminuição da mortalidade, o facto de as mulheres optarem por casar e ter filhos mais tarde faz com que “o mundo inteiro esteja a ficar mais velho” mas também com que haja cada vez mais avós e bisavós com plenas capacidades e saúde para terem uma vida activa e poderem “ser úteis à sua família” – referiu Sarah Harper, investigadora da Universidade de Oxford, no primeiro «Congresso dos Avós» que decorreu, 26 e 27 de Novembro, na Universidade Católica Portuguesa (UCP), em Lisboa. “Estima-se que algumas pessoas possam ser avós por mais de metade das suas vidas” – lembrou a antropóloga. Há estudos que apontam para que actualmente quase um terço das pessoas no Reino Unido sejam avós, papel que desempenharão em média 25 anos. Outros trabalhos sugerem que provavelmente três quartos da população chegará à condição de avô. O ministro da Segurança Social, Fernando Negrão mostrou preocupação com o “menosprezo” dado aos avós na sociedade portuguesa. “O papel dos avós é determinante para haver mais e melhor família” – defendeu Fernando Negrão na abertura deste Congresso sobre “os avós como educadores”. Sarah Harper, por seu lado, sublinhou “uma tendência muito interessante” que mostra que se assiste hoje a um reforço dos laços entre os mais velhos e os mais novos do agregado. Isto até nos países onde a mobilidade (por questões profissionais, por exemplo) dos membros da família é muito grande. “Talvez porque vivemos numa sociedade tão individualista e as pessoas começam a procurar âncoras, referências… fazem-no dentro da família”, justificou a investigadora. Harper referiu que há “provas consideráveis”, entre as espécies não humanas, “de que membros mais idosos da população, em particular dos avós, desempenham um papel importante no êxito da sociedade”.
