Igreja Católica exige colaboração mais estreita entre a Europa e a África

As Igrejas da África e da Europa assumiram um compromisso acção comum contra a pobreza na conclusão do Simpósio “Comunhão e solidariedade entre África e Europa”, que juntou cerca de 150 bispos de 30 países europeus e 32 nações africanas. Os participantes na iniciativa colocaram entre as principais preocupações da Igreja, presente nos dois continentes, “o desemprego, a exclusão, a dívida externa, a corrupção, a exploração da pessoa, o desperdício de recursos naturais, a pandemia da SIDA, a falta de acesso aos medicamentos e o analfabetismo”. Os bispos querem constituir, também, um grupo internacional para resolver o problema da dívida externa dos países pobres e recordaram aos países desenvolvidos o compromisso assumido de destinar 0,7% do PIB à ajuda para o desenvolvimento. “O respeito dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio representa a melhor oportunidade para colocar um ponto final na pobreza em África”, destaca o documento conclusivo da iniciativa convocada Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) e o Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SCEAM). O Simpósio lançou um apelo à União Europeia sobre a necessidade de “anular a dívida externa e promover regras comerciais justas”. A Igreja assume, por seu lado, um compromisso específico de promoção “da justiça e da paz, com esforços de reconciliação e de defesa dos direitos do homem”. Com este propósito, espera-se uma acção comum que permita “mudar as regras económicas que criam, a cada dia, mais e mais pobres”. A posição foi assumida por D. John Onaiyekan, presidente do Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SCEAM), para quem “as Igrejas africanas e europeias devem falar-se para ter mais força e influenciar mais a sociedade”. A ideia é recolhida no documento de conclusões, onde se destaca a “necessidade de evangelizar mais as estruturas políticas, o que significa encontrar modos para aplicar a Doutrina Social da Igreja”. O arcebispo Amédée Grab, presidente do CCEE, revelou no decorrer dos trabalhos que seria um sonho para os dois continentes se a Europa “se propusesse a contribuir, de forma clara, na erradicação da tragédia da fome no mundo, a partir da África”. Colaboração entre Igrejas Este simpósio foi considerado como uma nova etapa na Comunhão entre as Igrejas presentes, tendo como novidade o acento colocado sobe a “reciprocidade” do dar e receber. Os bispos dos dois continentes colocaram em destaque o intercâmbio de sacerdotes, religiosos e leigos. Um dos aspectos mais debatidos foi o do envio de sacerdotes africanos como missionários à Europa. Alguns prelados constataram que esta última prática deixa a Igreja na África “sem forças vitais necessárias” e lamentaram que nem sempre estes presbíteros encontrem “o justo acolhimento” nas comunidades europeias. “Os bispos compreenderam melhor em que condições trabalham seus irmãos nas Igrejas particulares e viram quais opções pastorais de um poderiam ajudar os outros. Por este motivo, decidiu-se criar um grupo de trabalho para continuar de maneira concreta este diálogo”, pode ler-se no documento conclusivo. A atenção às outras religiões está também recomendada no texto. De acordo com os participantes no Simpósio, “nos nossos dois continentes somos chamados ao diálogo com as outras religiões, em particular com o Islão, conciliando o respeito devido à liberdade religiosa, a estima e a vontade de colaboração, com a proclamação serena da nossa fé em Cristo e da nossa tradição cristã”. O simpósio concluiu com uma mensagem de esperança dos bispos de ambos continentes aos seus fiéis. “Acendamos a solidariedade com a chama do amor cristão, trabalhemos para o advento de um nova ordem mundo”, pedem os prelados. No dia final da iniciativa, a 13 de Novembro, os particpantes foram recebidos em audiência pelo Papa, que considerou estes encontros como uma forma privilegiada de aumentar “a comunhão entre as Igrejas”, de modo a “enfrentar em conjunto temáticas existenciais como a concepção do homem e da sociedade, a evangelização e as relações ecuménicas e inter-religiosas”. João Paulo II anunciou, nessa ocaisão, a sua intenção de convocar um segundo sínodo de bispos da África, algo que acontecerá pela segunda vez na história.

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