Igreja pede uma maior aposta nos cuidados paliativos

A Santa Sé pediu à comunidade internacional uma maior aposta nos cuidados paliativos, como forma de evitar a eutanásia. Especialistas de mais de 70 países reflectiram de 11 a 13 de Novembro, no Vaticano, sobre “Os cuidados paliativos”, no contexto da XIX Conferência Internacional do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde.

O presidente do Dicastério organizador, o Cardeal Javier Lozano Barragán, condenou aquilo que considera as “ameaças muito fortes à cultura da vida”. Em entrevista à Rádio Vaticano que, o Cardeal referiu que para a Igreja, “a vida é um dom de Deus e que não pertence a ninguém senão a Ele”, justificando, desta forma, a recusa da eutanásia. “A eutanásia é tomar algo que não é próprio e tirá-lo da mão de Deus.

Não se pode actuar assim de nenhuma maneira”, assegurou. No decorrer dos trabalhos, dirigiu-se aos mais de 600 participantes na Conferência para exigir um maior respeito para os doentes em fase terminal, assinalando que a aposta da Igreja Católica para estes casos passa pela melhoria dos cuidados paliativos e não pela eutanásia.

“Entre os dramas de uma ética que pretende estabelecer quem pode viver e quem morrer está o da eutanásia”, disse o Papa, que condenou ainda o “encarniçamento terapêutico”, considerando estas atitudes como sintomas de ausência do respeito “que em todo o instante se deve ao paciente”. O Cardeal Lozano destacou, destes dias de trabalho, a renovação dos sacramentos dos doentes, lembrando que “os cuidados paliativos para a Igreja sã entendidos como os meios mais fortes para tentar vencer a dor”.

“Este paliativo da dor está representado pela Eucaristia, entendida como Viático, e a Unção dos Enfermos”, afiançou. O Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde pede que se estabeleça um diálogo inter-confessional e inter-religioso sobre os cuidados paliativos, algo que a presente já quis concretizar, convidando judeus, muçulmanos, hindus e budistas, além de não-crentes da Europa.

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