O diálogo como caminho para superar as divisões no Chipre

João Paulo II apresentou o diálogo como caminho para superar a divisão do Chipre ao encontrar-se este sábado com o presidente desse país, Tassos Papadopoulos. Aludindo à difícil situação da ilha, dividida em dois, o Papa alentou o representante do país “nos vossos esforços por promover o diálogo e a tolerância entre os diferentes grupos étnicos e religiosos”. “Só com o compromisso a favor do entendimento e do mútuo respeito podem superar-se as antigas tensões e alcançar-se a unidade baseada nos princípios da solidariedade e da justiça”, frisou João Paulo II. O Papa lembrou que o Chipre “sempre foi fiel à mensagem cristã” e assegurou rezar para que “o Deus omnipotente derrame sobre a Ilha os dons da paz e da harmonia”. Chipre A ilha de Chipre é, nitidamente, um caso especial dentro dos 10 países que aderiram à União em Maio passado, entrando na UE com uma divisão entre a zona grega e a zona turca. A fronteira entre as duas, a “linha verde” é a mais curiosa das fronteiras da UE, com mais de mil soldados da ONU a vigiarem o local. João Paulo II manifestou por diversas vezes o seu apoio à inclusão de Chipre na UE e mostrou-se confiante de que este país poderá “encontrar-se numa posição vantajosa para tornar a Europa mais consciente de suas próprias raízes cristãs”. O Papa nunca escondeu, contudo, a sua tristeza pelo perpetuar da divisão da ilha de Chipre, que o referendo falhado pela reunificação não conseguiu evitar. A presença da Igreja na ilha é diminuta, dado que 78% da população pertence à Igreja Ortodoxa da Grécia e outros 18% são muçulmanos. No total de 800 mil habitantes, apenas 13 mil são católicos, o que representa uma percentagem de 1, 28%. Por tudo isto, a presença da Igreja no país não tem um grande impacto na sociedade e está mais limitada à celebração litúrgica, dentro das comunidades católicas, de tradição maronita – a única das igrejas católicas orientais, que não tem uma facção separada de Roma. Uma arquieparquia (divisão eclesiástica correspondente à nossa arquidiocese) e 13 paroquias espalham-se pelos 9 mil km2 da ilha, contando apenas com 12 padres e 50 religiosos.

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