Amanhã, dia 30 de Outubro, a chefia do Corpo Nacional de Escutas (CNE) toma posse. O chefe nacional, Luís Lidington, avança à Agência ECCLESIA as grandes linhas programáticas para o próximo mandato. Agência ECCLESIA – Com o terceiro mandato à porta quais são grandes linhas programáticas do Corpo Nacional de Escutas (CNE) para os próximos três anos? Luís Lidington – O CNE já fez 81 anos como associação e o movimento está quase a comemorar 100 anos. Neste mandato precisamos de fazer uma profunda remodelação de estatutos. Temos 20 regiões escutistas que correspondem à área das 20 dioceses. Com 20 regiões, quase 70 núcleos e mais de 1000 agrupamentos somos uma associação demasiado grande para funcionar com uma centralização de serviços e de decisões. É necessário esta descentralização mas com controle. AE – Esta necessidade de descentralização surge por porque o «corpo» é demasiado grande? LL – É verdade. Neste mandato iremos estudar o assunto nas comissões e depois fazer um grande seminário com todos os adultos (dirigentes e caminheiros) do CNE. Uma actividade onde serão feitas várias sugestões. AE – Esse seminário será quando e onde? LL – Talvez em 2006. A partir de Novembro haverá uma equipa nomeada para preparar este seminário. Em 2007 será para nós um ano mágico porque começámos com um pequeno acampamento, com Baden Powell, em 1907. Em todo o mundo haverá comemorações para comemorar os 100 anos. No nosso país já contactámos os CTT para uma edição de selos comemorativa da fundação do Escutismo. Faremos também um grande acampamento nacional. AE – O seu mandato será emblemático. LL – Abrange esta grande data. Uma efeméride que servirá também para chamar a atenção dos jovens para os valores do escutismo e para o método pedagógico que este tem: sistema de patrulha e sistema de progresso. A interacção destes dois sistemas é o método pedagógico do escutismo. AE – Apesar desta grandiosidade pretendem crescer ainda mais? LL – É verdade. Posso dizer que nalguns pontos do país há listas de espera para entrarem nos agrupamentos de escuteiros AE – Como se justifica esta lista de espera? LL – A nossa dificuldade é termos adultos preparados com formação. Falta-nos um número suficiente de adultos para podermos ter mais jovens. AE – Mas há uma máxima: “escuteiro uma vez, escuteiro toda a vida”. Há justificação para o abandono destes adultos? LL – Os estudos universitários. A constituição da família. Depois dos 30 anos, após o nascimento do primeiro filho, muitos regressam ao activo. Apesar de ultrapassarmos os nove mil adultos, este número ainda é insuficiente. AE – O CNE é constituído por quantos elementos? LL – Estamos muito próximo dos 70 mil. AE – Explicações para este sucesso? LL – É um movimento interessante para os jovens e crianças. Umas das apostas para este mandato passa também pelo saber que todos os nossos jovens estejam na catequese. AE – Podemos então concluir que o Escutismo é uma escola de valores. LL – É verdade. Temos a consciência que o CNE é uma associação de apostolado. AE – Mas têm noção que algumas famílias colocam os filhos no Escutismo para eles estarem ocupados. LL – Hoje, os jovens não têm espaço para se integrarem em grupos de outros jovens. Antigamente – recorda a sua infância – nós brincávamos na rua com outros grupos. Actualmente, devido à insegurança, os pais não deixam sair os filhos para a rua, jardins, com facilidade. Cada vez mais, o escutismo pode ser uma resposta para este tipo de situações. AE – Uma associação de tempos livres? LL – Não somos uma associação de tempos livres mas de educação integral e para a cidadania. AE – Um complemento da família? LL – É verdade mas a família será sempre o grande esteio de educação das gerações futuras.
