Bispo de Beja aconselha os cristãos a não desistirem apesar de muitos alentejanos “estarem desiludidos com os políticos” “A Igreja respeita a vontade democrática das pessoas e não entra na luta política-partidária. Achamos que o povo já tem discernimento suficiente para votar com consciência” – disse à Agência ECCLESIA D. António Vitalino Dantas, bispo de Beja, sobre o relacionamento entre a Igreja local e os autarcas. Apesar de votar mais na esquerda, a maioria das Câmaras Municipais da região do Alentejo são do Partido Socialista. “Aqui, os partidos do centro e mais à direita não têm grande implantação” – sublinhou. O prelado de Beja disse também que “a palavra de um bispo, na altura da luta política, é mais ouvida e interpretada conforme os quadrantes”. E avança: “não gosto muito de falar em política durante a campanha”. Quando fala com os cristãos da sua diocese, D. António Vitalino nota que “muita gente está desiludida com os políticos” mas “peço-lhes para não desistirem”. Com o voto “podemos manifestar o nosso descontentamento” e procurar o “melhor para a nossa região” – refere. Apelar ao voto sim mas “nunca para votar neste ou naquele partido”. Apesar de ser natural do Minho, o bispo de Beja está naquela diocese há meia dúzia de anos. Passada a fase de adaptação, D. António Vitalino salienta que sempre foi um homem “desenraizado da minha terra natal” porque a sua vida está associada às missões. “Em muitas situações sinto-me alentejano”. E avança: “coloco-me na pele deles e compreendo melhor as suas decisões” – relata. O ambiente geográfico e histórico “toca a maneira de ser das pessoas”. Por isso diz: “o alentejano tem uma identidade muito vincada”. Um modo de vida onde aparecem as suas especificidades: “maneira de reagir, cantar, conviver, trabalhar e até na sua religiosidade” – verifica o bispo. A Liturgia Católica ainda “é muito orientada a partir da Igreja Latina” mas nas paraliturgias “podemos fazer adaptações”. A sua maneira de cantar e celebrar os seus santos “é diferente do resto do país”. Apesar destas diferenças, D. António Vitalino já disse muitas vezes aos cristãos da sua diocese que respeita “as tradições locais” mas “não são nenhum dogma”. Com o tempo podemos “evoluir” e ultrapassar a mentalidade da Idade Média. Como estamos no século XXI, o prelado de Beja apela ao “diálogo sem esquecer o lado positivo da religiosidade popular”.
