Carta Apostólica Mane Nobiscum Domine de João Paulo II para o Ano da Eucaristia foi apresentada hoje A Santa Sé apresentou hoje a Carta Apostólica Mane Nobiscum Domine (Fica connosco, Senhor) que João Paulo II envia à Igreja Católica por ocasião do Ano da Eucaristia. “Não tenhais medo de falar de Deus e de levar bem à mostra os símbolos da fé”, é o apelo do Papa, que retoma a expressão emblemática do seu Pontificado. A Carta, com uma introdução e quatro capítulos, apresenta a Eucaristia como “princípio e projecto de missão”, pelo que João Paulo II convida todos os cristãos a “testemunhar com mais força a presença de Deus no mundo”. Este desafio a uma referência pública à Eucaristia, dentro de uma cultura do diálogo, serviu a João Paulo II para lamentar e criticar os esquecimentos das raízes cristãs na sociedade contemporânea, de modo especial na nova Europa, assinalando que “nesta matéria não faltaram erros, historicamente, mesmo nos crentes”. Na Carta Apostólica, João Paulo II considera errado os Estados recearem ficar mais fracos por haver símbolos e manifestações religiosas públicas. As comunidades diocesanas e paroquiais são convidadas a promover a comunhão e a solidariedade, “indo ao encontro de qualquer uma das muitas pobrezas do nosso tempo”. “Penso, sobretudo, no drama da fome que atormenta centenas de milhões de seres humanos, nas doenças que flagelam os países em via de desenvolvimento, na solidão dos idosos, o sofrimento dos desempregados e as preocupações dos imigrantes”, aponta. Ano da Eucaristia O Ano da Eucaristia irá de Outubro de 2004 a Outubro de 2005, inserindo-se num longo percurso espiritual para a Igreja traçado pelo Papa desde a preparação do Grande Jubileu do ano 2000. O Papa explica na sua Carta que “não peço que se façam coisas extraordinárias, mas que todas as iniciativas sejam preenchidas por uma profunda interioridade”. O actual cenário internacional preocupa particularmente João Paulo II, para quem “os factos se encarregaram de colocar em evidência, desde o início do milénio, uma espécie de crua continuidade com eventos anteriores, sobretudo com os piores de todos”. “Tem vindo a delinear-se um cenário que, entre as perspectivas em confronto, permite entrever sombras de violência e de sangue que não deixam de nos entristecer”, escreve. Nesse contexto, a Eucaristia é apresentada como um “mistério de luz”, que abre os tesouros da Escritura e toca na vida de cada um. Normas litúrgicas A missiva do Papa pede o máximo respeito pelas normas litúrgicas que regem as celebrações eucarísticas. “Que a Missa seja decorosamente celebrada, segundo as normas estabelecidas, procurando testemunhar a presença real de Cristo com o tom da voz, os gestos, os movimentos, com todo o conjunto do comportamento”, refere a Carta. O Papa reassume, assim, uma preocupação recorrente no Vaticano ao longo dos últimos meses. A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, publicou no passado dia 23 de Abril a instrução “Redemptionis Sacramentum” sobre algumas coisas que se devem observar ou evitar acerca da Eucaristia, assunto que deverá ser estudado ainda no Sínodo dos Bispos de 2005. “As normas recordam o relevo que deve ser dado aos momentos de silêncio, seja na celebração, seja na adoração eucarística. É necessário, numa palavra, que todo o modo de tratar a Eucaristia, da parte dos ministros e dos fiéis, seja preenchido por um profundo respeito”, escreve o Papa.
