D. António Vitalino quer mudanças no Alentejo

Bispo de Beja fala do impacto da barragem do Alqueva e lança apelos aos alentejanos Devido à grande dispersão territorial e ao envelhecimento na diocese de Beja, D. António Vitalino, bispo daquela diocese alentejana, referiu à Agência ECCLESIA que muitas vezes a “nossa mensagem têm pouco impacto” porque, devido à idade, “as pessoas não podem mudar muito a sua maneira de viver”. Apesar da diocese ter esta realidade “não adianta estarmo-nos a lastimar que não temos jovens” – disse. Mesmo tendo pouca juventude, o prelado salienta que “temos de ir ao encontro deles” mas “perdemos muito tempo nos caminhos”. Para além deste ponto, o pastor daquele território eclesial avança que “as multidões quase não existem” mas “temos de ter a coragem de trabalhar com pequenos grupos e directamente com as pessoas”. Uma vantagem que a diocese de Beja têm em relação a outras mais cosmopolitas porque o pastor pode falar directamente com as pessoas e “não falar por cima da cabeça das pessoas”. E acentua: “quase conhecemos as pessoas pelo nome”. Um pastor que conhece praticamente o nome das suas ovelhas. Apesar de ser uma região praticamente esquecida, a Barragem do Alqueva trouxe-a para o centro das atenções. No Dia Mundial da Água e em relação a esta obra, o D. António Vitalino disse que o impacto “nunca poderá ser negativo” embora duvide que o efeito sócio-económico para os alentejanos “seja grandioso”. Com a construção deste barragem, o bispo de Beja acredita que “muitas pessoas, portugueses e estrangeiros, invistam naquela zona”. E solta um lamento: “o povo alentejano não está habituado a investir” porque “quase sempre trabalhou por conta de outrem”. A primeira fase será, essencialmente, de investimento “vindos de fora”. Um território com muita terra “para ser cultivada” mas as quotas de mercado obedecem a regras. “Não podemos estar a fazer culturas quando o mercado está saturado” – afirma. Com a abundância de água, a cultura do regadio nas herdades terá “grandes vantagens” mas “é preciso de saber que tipos de culturas”. E coloca hipóteses: “o Alentejo podia ser um jardim. Tem muita água e um bom clima por isso poderia apostar nas plantas ornamentais”. Na Europa, “só no Alentejo” se pode cultivar a céu aberto este tipo de plantas. “A Holanda pode ser concorrente mas com estufas” – verifica. E finaliza: “peço aos alentejanos que estejam abertos para acolher as pessoas que querem investir ali”.

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