Cardeal perseguido durante o regime soviético foi homenageado pelo Papa

João Paulo II entregou ontem o prémio Fidei testis (“Testemunha da Fé”), ao cardeal Kazimierz Swiatek, com quase 90 anos de idade, dos quais dez foram passados em campos de trabalhos forçados na era de Estaline. O Papa considerou particularmente apropriada a atribuição daquele título ao cardeal bielorrusso que, ao recordar os anos da deportação na Sibéria, dizia que “aí só se podia resistir com a fé”. O príemio “Testemunha da Fé”, conferido pelo Instituto Paulo VI, foi considerado por João Paulo II como “o título mais apropriado para um cristão; e com maior motivo o é para um pastor revestido da púrpura cardinalícia, que nos anos difíceis da perseguição da Igreja na Europa de Leste deu um testemunho valente de Cristo e do Seu Evangelho”. Kazimierz Swiatek nasceu no dia 21 de Outubro de 1914 e foi ordenado sacerdote em 8 de Abril de 1939, poucos meses antes da ocupação pelo exército da região oriental da Polónia. Foi preso e, num espaço de dois meses, interrogado 59 vezes. Em 1941 foi libertado aproveitando a confusão gerada pela ofensiva alemã. Regressando a pé à sua paróquia, encontrou a Gestapo (polícia política nazi) que lhe criou inúmeros problemas no exercício do seu ministério sacerdotal. Em 1944, com o ataque do Exército Vermelho, o então padre Swiatek recusou fugir para permanecer com os seus paroquianos. Foi preso e enviado para a prisão de Minsk, onde passou cinco meses. Condenado a dez anos de trabalhos forçados, passou dois anos no campo de Marwinsk, na Sibéria oriental. Por causa da sua resistência física ao frio, deportaram-no para o campo de Workuta, no Ártico. Quando caiu o regime soviético, João Paulo II nomeou-o Arcebispo de Minsk-Mohilev, encarregando-o do renascimento das comunidades católicas na Bielorrússia. Recebeu o título cardinalício em 1994. Apesar da sua idade, o cardeal Kazimierz Swiatek mantém a sua actividade pastoral à frente da referida diocese.

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