As sementes do campo missionário

A importância do Dia Mundial das Missões O penúltimo Domingo de Outubro é conhecido como Dia Mundial das Missões. Este ano não foge à regra e no próximo dia 24 de Outubro será celebrado um dia “para todas as igrejas locais”– disse à Agência ECCLESIA o Pe. Manuel Durães Barbosa, Director Nacional das Obras Missionárias Pontifícias. O Dia Mundial das Missões foi instituído a 14 de Abril de 1926 e todos os anos o Papa escreve uma mensagem à Igreja. O compromisso missionário da Igreja constitui, também neste início do terceiro milénio, “uma urgência que já em outras ocasiões quis recordar. A missão, como fiz observar na Encíclica Redemptoris Missio, ainda está muito longe da sua realização e, por isso mesmo, devemos empenhar-nos com todas as forças no seu serviço” – refere a Mensagem de João Paulo II para o Dia Mundial das Missões de 2004. Por sua vez, D. Manuel Quintas, bispo do Algarve e presidente da Comissão Episcopal das Missões, afirma na sua mensagem que “a força evangelizadora que brota da Eucaristia, quando convenientemente celebrada e vivida, conduz o cristão a um compromisso missionário no ambiente onde vive ou, mesmo, noutros ambientes. Poderia a Igreja realizar a própria vocação “sem cultivar uma constante relação com a Eucaristia, sem nutrir-se deste alimento que santifica, sem fundamentar-se sobre este alicerce indispensável a sua acção missionária?” Para evangelizar o mundo, “necessita-se de apóstolos «peritos» na celebração” – realça João Paulo II na sua mensagem. A ocasião também “é propícia para recordar o contributo que as beneméritas Pontifícias Obras Missionárias oferecem à acção apostólica da Igreja”. A estas, João Paulo II agradece “o precioso serviço que prestam à nova evangelização e à evangelização ad gentes”. A Obra da Propagação da Fé (uma das Obras Missionárias Pontifícias) foi fundada em Lião (França), em 1822 por um grupo de leigos, com Maria Paulina Jaricot como figura central. A partir de 1928 foi progressivamente fundada nas Igrejas da Missão e actualmente existe em mais de 90 países. Para lhe dar maior projecção e um caracter mais universal, a Obra foi dotada de estatuto pontifício a 3 de Maio de 1922, sendo transferida de Lião para Roma a sua sede. A Obra passou assim a ser órgão oficial da Igreja para a cooperação missionária. Antigamente, quando se falava em missão as pessoas associavam aos países ultramarinos. A missão tem “de ser vista no sentido universal” – refere O Pe. Manuel Durães Barbosa. O Concílio Vaticano II, na Constituição dogmática Lumen Gentium, sublinha que a vocação universal à santidade consiste no chamamento de todos à perfeição da caridade. “Santidade e missão são aspectos imprescindíveis da vocação de cada baptizado. O compromisso de se tornarem mais santos está estreitamente ligado ao de espalhar a mensagem da salvação” – sublinha João Paulo II na Mensagem para o Dia Mundial das Missões de 2003. Em época alguma, a Igreja teve “tantas possibilidades de anunciar Jesus como hoje, graças ao desenvolvimento dos meios de comunicação”. Precisamente por isto, a Igreja é chamada e convidada a “rezar assiduamente pelas missões e a colaborar com todos os meios nas actividades que desempenha em todo o mundo”. O “Ide…”, com que sempre se conclui a celebração da Eucaristia, contém em si a actualização permanente do mandato de Cristo: ide pelo mundo… anunciai o evangelho!. No ano do Jubileu, João Paulo II pediu mesmo aos cristãos “para que, com humilde e coragem, respondam ao chamamento do Senhor e às necessidades dos homens e mulheres da nossa época, se façam arautos do Evangelho”. O campo é vasto e ainda há muito a fazer: “é necessária a colaboração de todos. Ninguém, com efeito, é tão pobre que não possa dar alguma coisa. Participa-se na missão, antes de tudo, com a oração, na liturgia ou no segredo do próprio quarto, com o sacrifício e a oferta a Deus dos próprios sofrimentos. Esta é a primeira colaboração que cada um pode oferecer. Depois, é importante não se subtrair ao contributo económico, que é vital para muitas Igrejas particulares” – sublinhou João Paulo II, no ano 2000. Dois mil anos após o início da missão, são vastas as áreas geográficas, culturais, humanas e sociais em que “Cristo e o seu Evangelho ainda não penetraram. Como não ouvir o apelo que emerge desta situação?” – o alerta está dado aos cristãos cabe responder.

Partilhar:
Scroll to Top