A Europa está a esquecer-se de Deus

Um alerta vindo das Jornadas missionárias A Europa parece um “continente fragmentado” porque “se esqueceu de Deus” – disse à Agência ECCLESIA o Pe. Manuel Durães Barbosa, director das Obras Missionárias Pontifícias, depois das jornadas missionárias deste ano, realizadas em Fátima, de 17 a 19 de Setembro. “A missão e a Europa do futuro” foi o tema desta iniciativa onde os prelectores alertaram as várias centenas de participantes para “a falta de fé” e para o domínio “das idolatrias do ter e do poder”. Perante estes dados, “é necessário fazer uma leitura desta realidade” e tornar a “Europa como promotora e catalisadora dos Direitos Humanos” – afirmou o Pe. Durães Barbosa. O cristianismo é, na Europa, o vector da “unidade na diversidade”. E acentua: “deve existir cada vez mais uma inculturação da fé na Europa”. A mobilidade das populações no continente Europeu é hoje um dado incontornável que faz parte do seu “património cultural”, pelo que é necessário um “diálogo aberto entre as diferentes culturas e respeito pelos valores e identidade de cada uma”. Por seu turno, o Cón. Carlos Azevedo, vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa, apontou os grandes desafios para os cristãos no espaço europeu do futuro, entre os quais se destaca o “contributo para abrir a Europa ao mundo” e a “recuperação da utopia”, numa perspectiva de que “é com base na fé cristã que pode haver o empenhamento de uma Europa com preocupação social”. Para este docente universitário, falou sobre «As raízes cristãs da Europa: verdade histórica e desafios à missão», o cristianismo não é “factor único na construção europeia mas é unificador”, partindo das raízes que ajudou a criar e que salvaguardam “a confissão da supremacia da pessoa humana”. O continente Europeu está “a esquecer as suas raízes cristãs” porque vive dominada pela preocupação da “economia, do consumismo e do bem estar” – disse o Pe. Durães Barbosa. O fluxo migratório também teve o seu espaço de reflexão. Portugal é um país de emigração emigrantes mas também acolhe muitos imigrantes. “O acolhimento e a integração são dois pontos essenciais” mas os cristãos “vivem preocupados com a legislação apertada que Europa está a fazer”. E Portugal alinha “numa restrição significativa” – sublinhou o Pe. Durães Barbosa. A Europa tem de flexibilizar “estas leis” e “não fechá-la como uma muralha”. A pessoa deve “ser respeitada”. O director nacional das Obras Missionárias Pontifícias adiantou ainda que, actualmente, o âmbito geográfico da missão “mudou completamente”. A missão está em todo o mundo mas é necessário “discernir as prioridades”. Se falarmos em primeira evangelização e de primeiro anúncio, “o continente mais abandonado é a Ásia” – salientou. “A Europa precisa, sobretudo, de uma reevangelização” porque “está a perder as suas raízes” – disse. As Igrejas jovens poderão “dar um contributo fundamental”. E finaliza: “a liturgia em África é quilométrica” mas “na Europa é electrónica”. “É necessário haver uma sintonia”. Notícias relacionadas •A abertura da Europa aos valores do cristianismo

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