João Paulo II voltou a tomar posição contra o terrorismo, neste Domingo, quando afirmou durante o Angelus que “neste alvor do terceiro milénio, a humanidade está marcada pelo aumento perturbador do terrorismo”. O Papa condenou os “sucessivos atentados atrozes, contra a vida humana”, que “perturbam e inquietam as consciências, provocando nos crentes a dolorosa pergunta: porquê Senhor, até quando?”. “Deus respondeu a esta pergunta angustiada, provocada pelo escândalo do mal, com o sacrifício do próprio filho na cruz”, indicou. Recentemente, o Papa apelara à “firmeza e determinação” na luta contra “os agentes da morte”, numa mensagem dirigida aos participantes do encontro inter-religioso em Milão, promovido pela Comunidade de Santo Egídio. “Infelizmente, o terrorismo parece redobrar as suas ameaças de destruição”, afirmava o Papa, evocando o terceiro aniversário dos atentados de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque. Desde o início de 2004, após uma intensa luta contra a ointervenção militar no Iraque, João Paulo II tem exigido, contudo, “uma análise corajosa e lúcida das motivações subjacentes aos ataques terroristas”. Com esta posição, o Papa quer deixar um apelo muito claro à necessidade de não esgotar a resposta ao terrorismo “em operações repressivas e punitivas”, mas sim em fazer um esforço lúcido e humilde para compreender de alguma maneira o que subjaz ao desespero e à loucura de actos terroristas. Ainda neste sábado, ao receber a nova embaixadora do Egipto no Vaticano, João Paulo II lembrou que a violência “não produz nada de bom, só ódio, destruição e morte”, pelo que o caminho para paz nas regiões mais fortemente afectadas pelo terrorismo, como o Iraque ou a Terra Santa, apenas poderá ser percorrido “se a vontade de diálogo prevalecer sobre a lógica do confronto”.
