Exortou D. Antonino Dias aos peregrinos no Santuário da Senhora da Penha A Senhora da Penha teve, dia 12 de Setembro, aos pés milhares de peregrinos. A peregrinação anual vimaranense ao santuário mariano foi das maiores de sempre e serviu para pedir aos cristãos uma contínua caminhada na fé. D. Antonino Dias, Bispo Auxiliar de Braga, que presidiu à concelebração eucarística, exortou os peregrinos a um permanente contributo individual e comunitário para um modelo de Igreja vigilante e interventivo. D. Antonino Dias, Bispo Auxiliar de Braga, pediu ontem aos peregrinos da Senhora da Penha, em Guimarães, que não cedam «à tentação da apatia, do mais fácil, do que mina uma comunidade paroquial», mas que permaneçam em todos os momentos vigilantes e interventivos. No alvor de um novo século, o Bispo Auxiliar de Braga interpelou individualmente cada cristão, levando-o a reflectir sobre a vida de cada comunidade, sobre o sentido de exigência colectiva e a dinâmica dos gestos e acções cristãos. «Em que movimentos e serviços é que tu participas? O que tens ajudado a construir no seio da tua comunidade cristã e no meio da sociedade civil a que pertences? E como estimulas e animas os que dinamizam?», questionou o prelado, atirando mesmo um directo ponto de interrogação: «porque vens aqui?» Às questões, o presidente daquela celebração religiosa, lembrou que «todos somos enviados em missão para dentro e fora da Igreja como fermento, sal e luz». Presentes e comprometidos pelo baptismo, de forma consciente e alegre, na realidade da vida e na rotina do quotidiano, com tudo o que implica de exigência pessoal, familiar, laboral, social, etc., os cristãos têm ainda responsabilidades acrescidas na sua caminhada de fé. «Cada comunidade paroquial precisa de todos e de cada um», não podendo ninguém ser dispensado ou auto-dispensar-se «numa contínua caminhada de fé», enfatizou o Bispo Auxiliar de Braga. Presidindo à celebração religiosa da peregrinação vimaranense àquele santuário mariano, o Bispo Auxiliar de Braga notou que, num tempo em crise de valores e ameaçado por falsas ilusões, a fé cristã nasce, cresce e tem igualmente que se robustecer no seio de cada comunidade. Peremptório, o prelado considerou mesmo que sem uma prática de entrega, disponibilidade e serviço «a fé serve de pouco ou de nada». «O cristão que tem a verdadeira consciência de pertença à Igreja de Jesus Cristo, pela e na comunidade, não pode contentar-se em ir à comunidade, mais ou menos anónima, assistir a actos de culto ou a pedir sacramentos e serviços», mas antes «tem de se sentir e ser construtor da mesma», apontou D. Antonino Dias. Lembrando também os desafios lançados para o novo ano pastoral, no decurso da homilia daquela celebração eucarística, a que assistiram milhares de fiéis, o Bispo Auxiliar bracarense apelou ainda a toda a comunidade católica sem excepção a um empenho sério e desmedido «numa dinâmica e cultura vocacional que nos envolva a todos pela oração e pela acção». Exaltando ainda os presentes a munir-se do amor divino e a colocá-lo sempre em lugar de destaque no seu coração, como uma verdadeira graça, o prelado evocou o evangelho para sacudir as consciências e notar que o próximo ano pastoral será dedicado à eucaristia, correspondendo ao desejo do Santo Padre João Paulo II. Referindo-se à beleza da sabedoria mariana enquanto trave de valores profundos, aquele Bispo Auxiliar pediu ainda que «a Senhora do Carmo, companheira na peregrinação da fé, santuário vivo do Verbo de Deus, nos abençoe e ajude» naquelas difíceis e exigentes missões e compromissos, bem como contribua para uma consciência mais forte e esclarecida do significado de pertença à Igreja de Cristo. O apelo da peregrinação e dos santuários Milhares de pessoas subiram, ontem, em peregrinação à Penha. Mas, muitas mais subiram pelo prazer da merenda, movidas pelo prazer das barracas de comes-e-bebes e dos atempados farnéis. Muitos já tinham, mesmo, de véspera, delimitado os seus lugares para o repasto e o descanso do corpo, que da alma outros tratariam por si. Os que fizeram a caminhada a pé, desde a cidade de Guimarães, serpenteando a montanha, chegaram e arrumaram-se, em calma e silêncio, muitos procurando a sombra dos arbustos, para participar na eucaristia. Os outros, os “turistas religiosos”, passeavam, falavam alto, riam, cumprimentavam-se, diziam adeus, preferindo deambular entre as barraquinhas de bugigangas e da música pimba. Apesar disso, as peregrinações à Senhora da Penha continuam a ser o que eram. Muitos continuam a peregrinar, comprometidos, agradecendo graças e pedindo forças para determinados momentos, geralmente difíceis, da vida. «A peregrinação mantém os traços essenciais que determinam a sua espiritualidade e ao caminhar até aqui o peregrino faz um percurso que vai da tomada de consciência do seu pecado e dos laços que o prendem a coisas efémeras à obtenção da liberdade interior e à compreensão do significado profundo da vida», resumiu, na sua elaborada homilia, D. Antonino Dias, Bispo Auxiliar de Braga. Evidenciando conhecer bem a realidade da religiosidade da maior parte dos santuários, D. Antonino Dias voltou a insistir na necessidade urgente de que os espaços religiosos possam constituir-se verdadeiramente como locais capazes de promover uma verdadeira educação da fé, lugares de evangelização eficaz, que levem a uma fé viva e comprometida. Desenvolvendo ainda o seu pensamento em relação à fé e ao que ela implica enquanto compromisso e estilo de vida, o prelado bracarense apontou ainda dois verbos que, na sua opinião, todos os cristãos devem saber conjugar em todos os tempos, modos e pessoas: formar e participar. Formar, porque só um cristão bem formado e com uma fé esclarecida está apto a participar e a intervir na vida eclesial e social, domínios por excelência da vivência e da tradução da fé. E participar porque é a isso que tem de levar uma fé verdadeira. «O santuário é um lugar de paragem, onde o povo de Deus, peregrinando pelos caminhos do mundo, se revigora para prosseguir a caminhada», observou o prelado, advogando que os seus responsáveis devem promover um trabalho que conduza à edificação de «lugares excelentes de aprofundamento da fé, com ocasiões privilegiadas para a nova evangelização».
