As quase três semanas de guerra no Iraque surpreendem pela ausência de um dos habituais protagonistas das guerras: o fluxo de refugiados. Refugiados As quase três semanas de guerra no Iraque surpreendem pela ausência de um dos habituais protagonistas das guerras: o fluxo de refugiados. As organizações humanitárias prepararam-se para receber milhares de pessoas que, afinal, não quiseram ou puderam sair do Iraque e o caso foi esquecido pela opinião pública, revelando uma falta de sensibilidade para um drama quase ignorado em Portugal. Maria Teresa Tito de Morais, presidente do Conselho Português para os Refugiados (CPR) revela que o nosso país se tem pautado por um silêncio absoluto nestas matérias, sem que haja um único gesto concreto de disponibilidade. “Quando a guerra começou o CPR enviou ao Ministro da Administração uma mensagem em que se disponibilizava para tudo o que fosse necessário fazer para acolhimento de refugiados iraquianos, na linha do que se fez na altura da guerra no Kosovo. Como não tivemos respostas, pressupomos que Portugal não está a encarar essa hipótese”, explica. A crítica vai para uma política concertada de imigração e asilo europeia “cada vez mais restritiva”, e o recurso a determinadas práticas de controlo, “quer nos próprios países de origem, quer nos países terceiros que servem de ponto de embarque” que impedem a chegada dos requerentes de asilo. Um exemplo destas práticas chega de um dos mais sangrentos e esquecidos conflitos da actualidade: “A República Democrática do Congo vive uma situação dramática e sabemos que as pessoas não chegam cá porque são interceptadas num país terceiro. Aliás, a ideia é mesmo a de criar campos de refugiados em países vizinhos para regionalizar o conflito e não incomodar a Europa, o que consideramos um escândalo”. O Pe. Rui Pedro, director da Obra Católica Portuguesa de Migrações, lamenta que o nosso país não determine “um número de refugiados a acolher, como gesto humanitário”, limitando as questões da imigração ao mercado de trabalho. “Ouve-se falar de quotas para a imigração, mas nunca se avança com a criação de uma quota mínima para refugiados a receber”, constata. Os cerca de 200 pedidos de asilo que Portugal recebeu o ano passado demonstram que “Portugal não tem uma imagem de país de acolhimento”, confirma Maria Teresa Tito de Morais. Os dados apresentados pelo CPR são explícitos: no segundo semestre de 2002 apenas 9 pedidos de asilo foram feitos nos postos de fronteira.
