O presidente Jacques Chirac e diversos líderes religiosos franceses estiveram esta manhã na Catedral de Notre Dame para assinalar o 60º aniversário da libertação de Paris numa cerimónia inter-religiosa pela paz no adro do templo. “Afasta de nós os males da violência, da intolerância e do ódio”, disse Dalil Boubakeur, reitor da Mesquita de Paris. A esta celebração seguiu-se uma Missa, presidida pelo Cardeal Jean-Marie Lustiger, arcebispo de Paris. Na cerimómia cantou-se o Magnificat, o mesmo cântico que ressoava na catedral no dia 26 de Agosto de 1944, quando de Gaulle, Leclerc e os chefes da resistência francesa lá entraram após terem descido triunfalmente os Champs-Elysées. Na sua homilia, D. Lustiger sublinhou que a França deve “partilhar com a Europa e o mundo o tesouro de civilização que soube construir ao longo dos séculos”. “Ouçamos o murmúrio dos povos sem liberdade, que apelam aos povos livres”, acrescentou o Cardeal. Os arcebispos de Washington, Westminster e Berlim, bem como um representante do arcebispo de Ottawa concelebraram a Missa, num gesto carregado de simbolismo. O Núncio Apostólico na França, D. Fortunato Baldelli, leu uma mensagem do Cardeal Angelo Sodano, secretário de estado do Vaticano, onde este sublinhava que “é preciso estar vigilantes para que nem o ódio nem o medo do outro não prevaleçam sobre a fraternidade e a solidariedade”. A mensagem incluía a bênção apostólica do Papa João Paulo II.
