Vaticano aposta forte numa aproximação ao Patriarcado Ortodoxo de Moscovo, mas João Paulo II dificilmente concretizará o sonho de visitar a Rússia Mãe do povo ortodoxo, a presença em Roma da tua santa imagem de Kazan fala-nos da profunda unidade entre o Oriente e o Ocidente, que permanece apesar das divisões históricas e dos erros dos homens. Bendita entre todas as mulheres, ao venerar o teu ícone nesta cidade, marcada pelo sangue dos apóstolos Pedro e Paulo, o Bispo de Roma une-se espiritualmente ao seu irmão no ministério episcopal, que preside como Patriarca à Igreja Ortodoxa Russa. E pede-te, Mãe santa, que intercedas para que se apresse o momento da plena unidade entre Oriente e Ocidente, da plena comunhão entre todos os cristãos. Oração de João Paulo II na celebração de despedida do ícone da Mãe de Deus de Kazan A devolução do ícone da Mãe de Deus de Kazan à Igreja Ortodoxa da Rússia está a ser encarada por João Paulo II como uma oportunidade única para uma aproximação entre as duas Igrejas. A solenidade que tem envolvido todo o processo de despedida da imagem, no Vaticano, é disso uma prova. Perante milhares de fiéis reunidos em Roma, o Papa recordou que este ícone – venerando-o solenemente, com um beijo, segundo a tradição dos cristãos do Oriente – depois de ter atravessado vários países e permanecido no santuário de Fátima, esteve na última década em casa do Bispo de Roma. João Paulo II devolve-o agora à Rússia, com uma mensagem muito especial: “que esta antiga imagem da mãe de Deus diga a sua Santidade Alexis II o afecto que o sucessor de Pedro tem por eles e por todos os fiéis que lhe são confiados”. Na oração que dedicou à Virgem de Kazan, lida em russo diante do ícone, João Paulo II diz que acompanhará com o coração o caminho que o levará à Rússia. O Papa abençoou e beijou o ícone antes de o entregar ao Cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a promoção da unidade dos cristãos, que lidera a delegação católica a Moscovo. A separação entre Oriente e Ocidente no Cristianismo remonta ao Grande Cisma de 1054, mas João Paulo II, o primeiro Papa eslavo da história, tem feito um notável caminho de aproximação junto de várias Igrejas Ortodoxas nacionais. A questão da Rússia permanece, ainda assim, como um dos desafios que o Papa não conseguiu vencer e só um verdadeiro milagre possibilitaria uma visita papal a Moscovo. O Papa espera que este gesto sirva para aproximar as duas igrejas separadas, mas a verdade é que Alexis II não se mostrou particularmente entusiasmado com o ícone e disse mesmo ao presidente Vladimir Putin que “para entregar uma fraude, não vale a pena o Papa vir à Rússia”. João Paulo II teve vários convites dos sucessivos presidentes russos, incluindo Putin, mas o seu desejo de visitar a maior e mais influente Igreja do mundo Ortodoxo tem sido travado. No ano passado foi aventada a hipótese de o Papa passar por Kazan, a 800 km de Moscovo, incluindo essa paragem numa viagem à Mongólia, para entregar o ícone pessoalmente, mas Alexis II vetou a ideia.
